Um mundo melhor?

“Para cada corrupto existem 8 milhões de doadores de sangue”;
“Amor dá mais resultados que crises. Mais de 2,5 bilhões de pessoas no mundo estão dispostas a doar seus órgãos para salvar vidas”.

125 razões para acreditar num mundo melhor. Passeando pela cidade comecei a ver outdoors que me chamaram a atenção: “Para cada corrupto existem 8 milhões de doadores de sangue”; “Amor dá mais resultados que crises.” Gostou? Está só começando. “Mais de 2,5 bilhões de pessoas no mundo estão dispostas a doar seus órgãos para salvar vidas”. Essa é uma grande campanha pela vida. Pelo bem. Bem-estar em sociedade, comunidade. Podia muito bem ser de uma entidade sem fins lucrativos, mas não. É justamente de onde muita gente menos espera – uma empresa capitalista, voltada exclusivamente para o lucro – a Coca-Cola. 125 razões para acreditar em um mundo melhor é a campanha para celebrar os seus 125 anos.

Todo mundo fala em um mundo melhor, paz entre as nações, democracia… mas no dia-a-dia vale quem é o mais ‘esperto’; não importam os meios, o resultado é o que conta; cada um por si e seja o que Deus quiser. Essa campanha nos lembra que sim, fazemos diariamente a diferença.

A história de Marta

Marta, uma diarista, sai todo dia às 5h da manhã para conseguir chegar a tempo nas casas em que trabalha durante a semana e muitas vezes, sábado. Como muitos brasileiros, pega o ônibus lotado e faz todo o trajeto em pé – ida e volta, mais de duas horas. Mas ela acredita num mundo melhor: está sempre sorrindo, está terminando o segundo grau e sonha em fazer radiologia. Todo o seu trabalho é para gerar oportunidades novas para ela e para o seu filho, Marlon, que ainda está no jardim, mas já sabe todo o alfabeto. Ela não tem como fugir do trânsito, mas transformou essas horas chatas em algo bom. Fez amizade com o motorista do ônibus e alguns passageiros que fazem sempre a mesma viagem. Resultado: à noite, quando voltam, cada um leva alguma coisa para um lanche comum, com direito a cervejinha na sexta-feira – menos para o motorista! Um pequeno gesto, grandes mudanças. Admiro pessoas assim, que pegam o que a vida dá, e transformam em algo belo. Tem um ditado da Cabala que fala algo parecido: “A vida é como um espelho. Se você sorrir para ela, ela sorri de volta.”

Nossas escolhas nos fazem ser quem somos

Gosto dessa figura do espelho. Muitas vezes esquecemos que a vida nada mais é do que reflexos das nossas pequenas escolhas diárias. A grande mídia, jornais e televisão, nos sufoca com notícias deprimentes a toda hora: assassino entra em escola e mata dezenas de crianças; assaltantes fazem arrastão; políticos roubam a verba da merenda escolar; velhinhos morrem no corredor de hospitais sem atendimento; e essa ladainha pode seguir sem fim. Muitas vezes somos pegos achando que o mundo não tem mais solução. Que o ser humano é egoísta e cruel. Outro dia tentei assistir a um jornal na televisão enquanto tomava café da manhã, desisti. Neguei-me a começar o meu dia com tanta barbaridade. Cadê as histórias boas? Quantas pessoas conhecemos que fazem trabalho voluntário? Médicos que fazem milagres em hospitais públicos para salvarem vidas? Ontem mesmo, minha tia que está com o meu tio internado num hospital particular contou que um enfermeiro, sabendo que eles queriam ter ido a Missa da Misericórdia e estavam tentando descobrir se era transmitida ao vivo, foi procurar saber. Quando voltou, deixou com eles o próprio celular sintonizado na Rádio Catedral, que transmitia a missa ao vivo. Minha tia logo perguntou se ele era católico. A resposta? – ‘Sou cristão’. Isso é fazer a diferença. É amar ao próximo, sem preconceitos. Quantas histórias dessas acontecem por dia e não ficamos sabendo? Não são boas o suficiente para vender jornais? De quem é a culpa dos jornais serem sanguinolentos? Dos jornalistas ou do público, formado por cada um de nós, que compra mais jornal quanto mais sangue derramar? Por que as fotos da manchete são normalmente da dor, da violência e não do belo, da poesia do dia-a-dia?

Todos por um mundo melhor, a começar por mim

Nós, crentes, sim – crentes, independente de religião. Todos aqueles que creem em Deus e confiam na sua bondade e sabedoria infinita deveriam fazer a sua parte para um mundo melhor, afinal, dizemos acreditar que fomos criados à sua imagem e semelhança. Deus não é egoísta. Deus não é masoquista, muito menos sanguinário. Os judeus ainda estão esperando o Messias, o Salvador, mas nós cristãos, já estamos vivendo uma vida nova. Cristo já morreu na cruz por nós, e nos salvou. Tenho uma proposta para você: Vamos trazer para a nossa realidade, para o nosso dia-a-dia o presente que Deus nos deu: uma vida nova? Vamos nos transformar em sua imagem e semelhança?

Um fim de tarde com Deus

Imaginemos que Deus está nos esperando ao final de cada dia, na sala da nossa casa com duas xícaras de café e por que não? Um bolinho – cada um pode escolher o seu bolo preferido. Eu fico com um formigueiro, bem fofinho.

Deus: (te passando a sua xícara de café e cortando um pedaço de bolo para você).
– Oi (seu nome). Como foi o seu dia?

Você: (depois de um gole de café, já sentado ao lado de Deus)
– Deus, nem te conto. Sabe o que eu fiz hoje?…

E assim vocês dois seguem noite a dentro trocando ideias, contando detalhes do seu dia-a-dia, que se não fosse essa conversa podiam muito bem passar em branco, sem serem notados. Logo os detalhes, que são carinhos de Deus ao longo do nosso dia. Uma forma carinhosa e íntima de dizer:
– ‘Oi meu filho, eu te amo!’.
Conseguiu ver esse filme?

Visualizou a sua casa, vocês dois sentados na mesa de jantar ou no sofá, conversando? Você contou a Deus o que fez hoje? Não? Para tudo e volta algumas linhas. Feche seus olhos e imagine essa cena. Tente imaginar tudo: cenário, o cheiro de café fresco, a brisa que vem de Deus, e principalmente – as suas palavras. Você se orgulha e enche o peito, como uma criança mostrando o trabalho para o pai, ou teve vergonha das suas atitudes e desconversou, falando sobre a violência, sobre a crise econômica?

A grande mudança acontece em nós

O mundo muitas vezes parece desgovernado e os homens perdidos como cegos em tiroteio, mas o que nós estamos fazendo para mudá-lo? A fé move montanhas. Por que, então não estamos vivendo em um mundo melhor? O que tenho feito para mover as montanhas? Tenho rezado, ido a missa, e logo na saída da missa, esqueço tudo o que ouvi e perco a paciência com o irmão ao lado? Tenho vivido como na música – ‘sou um poço até aqui de mágoas’?

A grande mudança acontece em nós. Nós é que damos o primeiro passo… e depois o segundo… o terceiro, até que quando vemos já cruzamos o mar, já influenciamos as pessoas à nossa volta. O bom humor é contagioso, assim como o mau-humor. Gentileza, gera gentileza. Quando somos sujeitos de mudança na nossa vida, mudamos também a nossa família, o nosso trabalho. Espalhamos a boa nova, não apenas com palavras ao vento, mas com ações e exemplos concretos. Quando sorrimos para a vida, ela sorri de volta. “Há mais vídeos engraçados na internet, do que más notícias no mundo”. “Mais de 7 mil instituições em todo o mundo têm concedido pequenos empréstimos a quase 20 milhões de pessoas de poucos recursos, cujo único capital é a confiança depositada nelas.” “Mais de 2 milhões de pessoas em 78 mil cidades do planeta decidiram cultivar a arte da hospitalidade, recebendo gratuitamente em suas casas viajantes de todo o mundo.” “Mesmo depois da separação, 80% acreditam que existe amor para toda a vida”. E você? O que está fazendo para um mundo melhor?

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