Ressentimento – Parte 02

É fácil criarmos ressentimentos quando nos sentimos como vítimas indefesas, como está ocorrendo com Helena.
Ela pensa que a única coisa que pode fazer é deixar que a família entenda que errou, sem que ela tenha que se manifestar claramente a respeito, e se volte para ela pedindo perdão.

Acontece, porém, que os demais membros da família sequer se deram conta de que existe um problema, ou podem até pensar que existe algum problema com Helena, mas entendem que eles não têm nada haver com isso.

Uma vez que não se pode esperar eternamente que alguém peça desculpas, e se queremos ultrapassar esses sentimentos negativos, temos que tomar a iniciativa e pedir explicações e explicar porque estamos magoados.

Conversando, dialogando, podemos chegar a alguma explicação razoável que elimina o motivo da mágoa e traz de volta a harmonia no relacionamento.

Mas não foi isso que Helena fez, ao contrário, preferiu deixar que o ressentimento aumentasse e se solidificasse.

Podemos comparar o ressentimento como a massa de cimento. A princípio é fácil de moldar, de formatar, mas rapidamente seca e se torna rígido.

A medida que o ressentimento endurece nossa atitude transforma-se em hostilidade. Começamos a encarar os outros como inimigos. Começamos a ter menos confiança em nossos relacionamentos. Tememos cada vez mais ser magoados por aqueles que já nos magoaram. E criamos defesas para evitar que isso aconteça.

Helena tenta se convencer que deveria esquecer o incidente, mas continua a pensar na estatueta. Chega ao ponto de considerar que a família armou um esquema para magoá-la e imagina que isso não é um acontecimento isolado, faz parte de um padrão repetitivo entre os membros da família.

Começa a lembrar de episódios passados nos quais a mãe e as irmãs adotaram atitudes contrárias as suas, e se convence que a mãe favorece a irmã.

É claro que, na convivência familiar, sempre existirão rusgas, discussões entre irmãs e mãe, e é assim, deixando vir à tona em sua consciência os momentos de falhas e discussões familiares, que Helena encontra as provas de que precisa para se considerar a preterida na família.

A raiva de Helena está se transformando em ressentimento. Ela continua a espera de um pedido de desculpa. Sente-se vítima, atraiçoada.

Nesse ponto, mesmo que sua mãe pedisse desculpas, talvez Helena não se sentisse satisfeita e o perdão não seria suficiente para eliminar o ressentimento.

Helena pode até fingir que aceita a desculpa, mas secretamente pensa que merece algo mais do que um simples “Desculpa”.

O que ela quer é um pedido de desculpa por todas as coisas que lhe fizeram ao longo dos anos; o reconhecimento de que a família “sempre” a marginalizou.

O poder de acabar com um ressentimento está nas mãos do ressentido, não nas do que ofende.
Só Helena pode decidir aceitar ou rejeitar as desculpas de sua mãe.

Se desejar aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto recomendo ler os livros de Dom Cipriano: Cura da Rejeição e A Libertação das Maldições, Ed. Louva-a-Deus, 2013; Quebrando o Jugo do Controle, Ed. Louva-a-Deus, 2013

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