Ressentimento – Parte 01

Passamos por uma fase em nosso país que levou-me a pensar em RESSENTIMENTO. Estou amargurado pelo tipo de político se apresenta ao eleitorado, estou irado por ter votado em pessoas tão venais, estou machucado interiormente por me sentir assim, algo que afeta meu organismo. Em outras palavras, além de fraudar o estado esses políticos me fazem adoecer.

Por tudo isso procurei racionalizar e procurar como me defender. Não posso ficar o tempo todo odiando pessoas que compreendo não conhecer, não entender as razões pelas quais se arvoraram em ser nossos intérpretes na vida política.

Como resultado apresento a vocês os textos a seguir que ajudaram a entender o que se passa no mundo atual e a me desprender desse lodaçal para poder viver realmente a vida que Deus deseja que eu viva.

RESSENTIMENTOS

O RESSENTIMENTO é uma raiva dura e fria que nos consome. Talvez ainda estejamos lembrando um velho insulto ocorrido há muito tempo, do qual ninguém se lembra mais. Ou sentimos inveja porque outra pessoa tem algo que nós gostaríamos possuir: propriedades, amor, atenção, elogios ou sorte.

Os ressentimentos transformam a raiva em algo duro, rígido e paralisante, que forma uma carapaça a nossa volta impedindo que apreciemos os outros e isso destrói a nossa paz interior.

A maioria de nós luta para libertar-se dos ressentimentos, mas eles são como sementes plantadas bem fundo. Por vezes parece que nunca seremos capazes de puxá-las pela raiz. Como sementes, os ressentimentos crescem rapidamente, mesmo quando tentamos esquece-los. Se não a atacamos de imediato, esse sentimento negativo abafa os outros sentimentos. Destroem nossa serenidade, arruínam nossas relações, transformam-nos em pessoas solitárias e amargas.

Os ressentimentos nascem da crença de que, de algum modo, fomos maltratados, ignorados, deixados para trás. Quando Deus ou alguém faz alguma coisa diferente daquilo que você esperava, a tendência é receber aquilo como um insulto: “Eu jamais esperei que ela fizesse isso comigo.”

Cada um de nós os sente de formas diversas de acordo com nossa herança cultural, nossa educação e o meio ambiente em que vivemos.
“Helena sempre se sentiu próxima da família, até o dia em que descobriu que a mãe havia dado uma pequena estatueta de um cavalo chinês, da dinastia Ming, para irmã. Sentiu-se preterida, logo ela, que era a única na família a montar e a gostar de cavalos. Sempre havia pensado que aquela estatueta seria sua. O pior é que só soube do ocorrido quando foi visitar a irmã e viu o cavalo entronizado em um lugar de honra. Ninguém lhe havia contado!!!

Ela poderia dizer, logo que soube, que o cavalo devia ser dela pelo amor que sempre nutrira pelo animal. Entretanto, preferiu não dizer nada, não queria que soubessem o quanto havia ficado magoada.
Tenta relevar o fato, arranja uma desculpa para sair, e vai “lamber as feridas” solitariamente.

Muitas pessoas sentiriam raiva e a demonstrariam, se estivessem no lugar de Helena, pois essa é a reação normal.
Raiva mostra que algo está mal em nosso interior e precisa de atenção. É como a dor. Quando sentimos dor em nosso calcanhar sabemos que algo não está bem em nosso organismo. Temos que procurar um médico para saber o diagnóstico. Muitas vezes o problema não está no calcanhar, mas na coluna vertebral. Acontece o mesmo com a raiva. Temos uma explosão de raiva contra uma pessoa que não tem nada haver com a origem desse comportamento. Estamos simplesmente projetando naquela pessoa a mágoa que sentimos por outro motivo. Queremos extravasar nossa raiva mas não a extravasamos com a pessoa que a ocasionou, guardamos a raiva em nosso interior até não poder mais, acabando por explodir com alguém que não tem nada haver com o fato.

Os ressentimentos são mais sutis, é subjetivo, ninguém sabe que está ali, a não ser você e Deus. Crescem da raiva quando não conseguimos lidar com ela.
Por vezes fingimos estar felizes, mas estamos ressentidos.
O preço a ser pago por evitar o conflito e mantermos uma felicidade aparente é muito caro. Significa deixar o ressentimento se instalar e crescer desmesuradamente até explodir por atos que, para os outros, são aparentemente rotineiros, mas para quem deixou o ressentimento se instalar e crescer, representa o gota d’água que faz transbordar o copo de mágoas.

“Começaram a surgir dúvidas no relacionamento de Helena com os demais membros da família. “Será que eles me amam de verdade? Até onde consideram-me importante?” Começa sentir autopiedade. E se deixar o ressentimento se transformar em autopiedade, a tendência é passar a direcionar essa queixa contra alguém, a quem você passa a considerar como ofensor.
No momento em que deixa instalar-se em seu interior, começa a prejudicar seu relacionamento com Deus, com os irmãos e com você mesmo. Com o tempo, acumulando esse sentimento negativo, você se torna um poço de ressentimento. Tudo o que acontece é visto sob o prisma do ressentimento, da queixa. Sentem como se tudo fosse feito contra você.

Esses pensamentos corroem a confiança de Helena com sua família.
Ao invés de deixar vir a tona o motivo de sua mágoa e discutir o assunto abertamente, ao contrário, ela o alimenta interiormente com seu orgulho machucado que a impede de revelar seus motivos. Imagina que eles deveriam ter notado sua mágoa e lhe deveriam pedir desculpas. Como isso não acontece, começa a pensar em magoa-los de volta.

Se desejar aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto recomendo ler os livros de Dom Cipriano: Ressentimentos Nunca Mais, Ed. Louva-a-Deus, 2003.
Cura Profunda, Ed. Louva-a-Deus, 2011

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