Reflexões sobre o mergulho no oceano de si mesmo – Parte 02

O LIVRO DE JONAS – 4ª Edição Dom Gregório Paixão, OSB e outros, Edições São Bento, Bahia.

No mar, o Senhor enviou um grande peixe que engoliu Jonas, o qual passou 3 dias e 3 noites no interior do peixe.
Note-se que a palavra hebraica para denominar Peixe é igual a usada para denominar Útero. Simbolicamente, portanto, Jonas havia voltado para o útero da mãe.

Em termos de numerologia,três é o número da perfeição, assim, três dias e três noites, multiplicados, geram 9, o tempo de uma gestação.
Logo, Jonas passou o tempo de uma gestação no interior do peixe para poder renascer, depois de mergulhar em si mesmo e passar a desejar obedecer às instruções de Deus.

Nós também devemos refletir sobre nossa vida, verificar o que fizemos de errado, nos arrepender e procurar confessar para nos libertar do peso dos pecados cometidos.
Depois de receber a absolvição de um sacerdote, o representante de Deus na terra, de nos arrependermos e fazer a penitência, ficamos livres de todos os nossos êrros.
Estamos prontos para renascer, viver de novo, nos reinventar, para seguir as pegadas de Jesus. Afinal, nossa conversão deve ser permanente, nos recriando a cada novo dia que nasce.

Ainda dentro do peixe Jonas ouviu outra vez a voz de Deus que dizia, ‘LEVANTA-TE VAI PARA NÍNIVE”.
Outra vez a palavra LEVANTA-TE que significa sair da comodidade da poltrona, sair de seu ambiente normal de vida, tentar algo novo.
Jonas é expelido em uma praia, local próximo de Nínive, seu destino original.
Se para suas “férias” havia tomado um barco, agora, tinha que vencer a distância a pé, sob sol ardente.

Jonas não foge mais de sua missão. Dá um salto e vai para onde Deus o envia, uma cidade pecadora.
Convém notar que a cidade externa equivale a nossa cidade interna, cheia de pecados, recalques, amarguras, ódios e mágoas.

Ao chegar em Nínive Deus lhe avisa que, se dentro de 40 dias o povo não se converter, será destruido.
Devia passar por toda a cidade pregando essa mensagem ao povo. Era sabido que a cidade podia ser percorrida em 3 dias mas Jonas realiza sua missão em apenas 1 dia. Estava com pressa e dizia apenas: “Dentro de 40 dias Nínive será destruída.”

Jonas só pensava na parte negativa do que iria acontecer, não informava o que não desejava, ou seja, QUE CASO NÃO SE ARREPENDESSEM, a cidade seria destruída.
Jonas não é dono, é apenas um servo no plano de Deus. E não estava fazendo o que Deus pedia.

Quando examinamos o prazo dado por Deus para que o povo de Nínive se arrependesse verificamos que 40 é um número que se repete em várias ocasiões no Evangelho.
Foram 40 anos que o povo Hebreu ficou vagando pelo deserto até chegar a terra prometida; foram 40 dias que Jesus jejuou no deserto e lutou contra as tentações demoníacas; foram 40 dias que Elias ficou no deserto no Monte Sinai. Quarenta é o número que representa a conversão, a penitência, vide a Quaresma, 40 dias após a Páscoa.

Para surpresa de Jonas o povo de Nínive se arrependeu. Jonas fez uma tempestade em copo dágua.
VIDE HISTÓRIA DO MARTELO que um homem iria pedir ao vizinho.

Resolveram fazer jejum e vestir roupas feitas de sacos, arrependendo-se de seus pecados, pois queriam evitar que a cidade fosse destruída.

O jejum não é apenas deixar de comer, deixar de se alimentar. É muito mais, é abandonar certos comportamentos habituais, tirar de dentro de nós aquilo que não presta, vomitar tudo que não presta de dentro de nós. Deixar de falar mal dos outros, fazer fofoca, não perdoar.

A atitude de vestir saco representa igualar todo o povo. Se no passado os mais ricos se enfeitavam com joias caras, roupas finas para se distinguir dos demais, agora todos vestiam sacos, eram visualmente iguais. Ninguém era mais importante do que o outro. Inclusive o Rei, que também se incorporou ao sacrifício de seu povo, largou suas vestes caras e vestiu-se de saco e fez mais, sentou-se sobre cinzas, que representam nosso fim.
Publicou um decreto real mandando que até aos animais não se desse alimento nem água.
Esse decreto pode causar espanto, mas a menção aos animais representa os animais que mantemos dentro de nós.
Se estamos com raiva de alguém, dizemos: “Fulano está com a cachorra”. Quando enfrentamos valentemente épocas difíceis dizemos: “Temos que matar um leão por dia.” ou ainda “Fulano é ruim como uma cobra”. O jejum dos animais corresponde a matar de fome os animais que mantemos em nosso interior e que não queremos enxergar, são nossos ódios, raiva, mágoas, falta de perdão.

Muitos afirmam que o Deus do Antigo Testamento é diferente do Deus do Novo Testamento. Mas nota-se nessa parábola que o Deus de Jesus Cristo, que sempre nos dá uma nova chance de mudar, pois reconhece nossa imperfeição, é um Deus misericordioso, e o Deus do Antigo Testamento, são a mesma coisa, um único Deus. Conforme se mostra nesta parábola.

Depois de sua irritação por ver o povo arrependido e, portanto, poupado da morte que Deus tinha prometido caso não se arrependessem, Jonas não se alegra, ao contrário fica tão irritado que resolve abandonar a cidade e dialoga com Deus explicando os motivos pelos quais tinha fugido da missão na primeira vez pois “sabia que és um Deus bondoso demais, sentimental, lerdo para ficar com raiva, de muita misericórdia e tolerante com a injustiça. Então Senhor tira minha vida, pois eu acho melhor morrer do que viver.”

Mais uma vez Jonas entrega sua vida nas mãos de outro. Não tem coragem dele mesmo tomar uma decisão, prefere que outros assumam a responsabilidade por sua própria vida.

Saiu da cidade e fez um abrigo à sombra do qual esperava para ver o que iria acontecer
Sob o sol causticante ficou alegre quando Deus resolve lhe conceder um pé de mamona para lhe dar uma sombra refrescante.
Jonas fazia uma chantagem com Deus, afirmou que preferia morrer. Agia como uma criança mal educada quando não lhe fazem a vontade.
Jonas alcançara a vitória, mas a vitória não o alcançara. A vitória dos outros pode nos trazer tristeza.

Como Jonas não abandonava sua raiva, Deus enviou um verme para atacar o pé de mamona acabando com a sombra refrescante sobre Jonas.

Ainda assim, Jonas preferia morrer. Deus o levou a refletir sobre sua raiva em perder um pé mamona, para o qual não havia contribuido com nada, não tinha feito nenhum esforço comparando esse sentimento com a eventual destruição de Nínive, uma cidade com 120 000 habitantes.
De novo, o autor do relato faz uma simbologia com os números, tradição dos escritores da época. Note-se que são 12 as tribos dos Hebreus, cada uma com 10 000 pessoas, perfazendo também um total de 120 000 pessoas.

Jonas, na verdade, tinha pena dele mesmo, vivia reclamando do que poderia faze-lo seguir adiante. Como muitos de nós, arvorava-se em juiz dos outros, desejava punir os pecadores, e irritava-se ao ver seus planos vingativos serem desvirtuados pelo poder divino.

Livro acabou. Falta o capítulo 5 que deve ser escrito por nós.
O final de nossa história pessoal depende de cada um de nós.
Qual será nossa decisão? Cumprir a missão que Deus nos recomendou, ou nos recusar e, como Jonas, tentar fugir para bem longe, tirando férias de nossas preocupações?

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