Reflexões sobre o mergulho no oceano de si mesmo – Parte 01

O LIVRO DE JONAS – 4ª Edição Dom Gregório Paixão, OSB e outros, Edições São Bento, Bahia.

Gostaria de partilhar com vocês a experiência de mergulhar em nosso oceano interior, conduzido pelo livro de Dom Gregório em parceria de vários de seus discípulos, todos judeus convertidos.

Trata-se de uma reflexão sobre nossos medos, nossas incertezas, nossas dúvidas diante dos desafios que temos que enfrentar diariamente. Ficar acomodado na poltrona ou sair, e tentar dar o máximo para a realização daquilo que Deus nos sugere?

É claro que ficar usufruindo do lazer é sempre mais confortável do que obedecer as instruções que recebemos de Deus. Ele não é adepto da preguiça, ao contrário, nos impele sempre para frente, criando situações nas quais podemos demonstrar nosso interesse em seguir Jesus na caminhada da vida, apesar dos obstáculos que antevemos nessa viagem.

O livro é dividido em 4 capítulos, mas vamos sintetiza-los em apenas dois para sumariar os pontos mais importantes de cada um deles.

CAPÍTULO 1

A FUGA

A história de Jonas não narra um fato ocorrido há muito tempo no passado. Trata-se de uma parábola em cujo espelho, ao mesmo tempo em que nos mostra o futuro, explica que o presente só à luz do futuro, ou seja, de Deus, pode ser vivido retamente.

Nínive era capital da Assíria, cidade conhecida pelos guerreiros sanguinários. A cidade é símbolo da infâmia pecadora que se acumula nos grandes centros urbanos.
É para essa cidade pecadora que Deus manda Jonas para pregar o arrependimento sob pena da destruição da cidade. A única saída seria a conversão de seus cidadãos.

Ao tomar conhecimento de sua missão Jonas refugou. Exatamente como faríamos nós, ao recebermos uma incumbência que, de saída, nos parece impossível de ser realizada com êxito, sobre a qual levantamos várias dúvidas: “Como seria recebido naquela cidade pecadora? Será que ouviriam sua pregação pelo arrependimento ou iriam rir dele? Não eram eles os responsáveis pela destruição de Jerusalém, levando presos para Babilônia os melhores e mais capacitados entre os hebreus?”

A solução é fugir, e é o que Jonas faz. Toma um navio rumo Leste, para Tarsis, sentido oposto a de Nínive. O curioso é que a palavra TARSIS, em hebraico, significa FÉRIAS. Portanto, Jonas queria tirar férias, passar longe das instruções de Deus. Não queria preocupações.

Para chegar a esse destino desceu até JOPE, pois estava em Jerusalém, situada geograficamente em nível mais elevado. Em hebraico JOPE significa BURACO, ou seja, Jonas desceu a um buraco para esconder-se de Deus.
Ali embarcou em um navio com vários outros passageiros, para Tarsis.
A viagem para Nínive seria realizada por terra, sob sol ardente, bem diferente da viagem por mar, para Tarsis.

No meio da viagem o Senhor mandou um vento forte que provocou grande agitação no mar, com ondas violentas que ameaçavam arrebentar o navio.
Os marinheiros, todos incréus, ficaram cheios de medo e começaram a jogar fora a carga para aliviar o peso do navio. Cada um invocava seu próprio deus implorando que acalmassem a tempestade, mas era em vão.

Ao embarcar com seu medo Jonas contagia todos os que o cercam. Isso também acontece conosco. Experimente entrar em uma sala depois de ter mantido forte discussão com alguém. Sua cabeça ainda está quente do debate e, ao entrar em outro ambiente, sua raiva incontida contagia a todos e o clima relacional se transforma.

Jonas não se preocupava com a tempestade que rugia no mar. Procurou abrigo no porão e dormia a sono solto.
Mais uma vez Jonas foge da realidade, refugiando-se no fundo do navio.
A tempestade externa simboliza a tempestade interna, um turbilhão de pensamentos que circulavam no interior de Jonas, assim como acontece em nossas tempestades, nossas preocupações, nossas iras, mágoas, que nos impedem de seguir as recomendações do Senhor.

O comandante, responsável pelo barco, procura todos os meios para evitar o naufrágio. Por isso foi procurar Jonas e o acordou, insistindo para que clamasse a seu Deus para evitar que morressem.

Os marinheiros, que não tinham fé, reuniram-se com os passageiros e resolveram tirar a sorte para ver se conseguiam identificar o culpado pela brusca mudança de tempo e a sorte caiu sobre Jonas.

Instado a identificar-se Jonas não teve outro meio a não ser explicar a razão pela qual tinha embarcado. Nossa palavra só deve ser dita quando seu valor é maior do que o silêncio. Diante da iminência da morte Jonas resolve sair de seu silêncio.
Descobre-se a causa da tempestade, mas a decisão de acalma-la precisa ser adotada.

Com medo, indagavam ao próprio Jonas o que podiam fazer para acalmar a ira de Deus, pois a solução já estava à vista de todos: Depois de se desembaraçar das babagens restava se desembaraçar da carga humana que provocava a ira do mar.

Mas os incréus não queriam ser responsáveis pela morte de um homem e indagaram de Jonas o que devia ser feito.
Ninguém pode tomar decisões sobre a vida de outros. Cada um tem que assumir sua verdade, assumir responsabilidade por seus atos.

Tomado pela vergonha em ter fugido, assumiu a culpa e pediu para que o atirassem ao mar e foi o que fizeram. Imediatamente o mar se acalmou.
Vendo o que tinha acontecido os marinheiros passaram a temer o Senhor e ofereceram-lhe sacrifícios fazendo promessas. O poder de Deus todo poderoso fez com que os descrentes passassem a acreditar no Senhor submetendo-se a Ele.

A Paz de Jesus
Mauro Moitinho Malta

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