Papel das Mulheres na Bíblia – Parte 06

RUTH A MOABITA

O livro de RUTH é incomparável. Primeiro, trata-se da história sobre mulheres, escrita pela perspectiva de uma mulher e, quase como uma voz feminina, cujos pontos de vista, como as palavras de Naomi, encorajando sua nora a retornar a casa de sua mãe para reconstruir sua vida, usando o termo: “a casa da mãe” ,ao invés do mais familiar “casa do pai”.

Esse livro também é uma história de Cinderela, passando da desesperança de ter alegria, para a rejeição com honra.

Não existem sogras más por aqui, não existem complexos relacionamentos de ódio, inveja ou ganância. Todos os personagens desse livro são pessoas boas, tratando umas as outras com honra e compaixão. A mais perfeita de todas é nossa heroina RUTH.

Muitos academicos datam o livro de RUTH no século quinto A.C. Foi escrito com o propósito de debater e medir os passos extremos dados por Ezra e Nehemias.

Depois do retorno do Exílio da Babilônia, foi reinterado o decreto que todos os que fossem descendentes de estrangeiros fossem excluidos da nação. (Vide Nehemias 13:1-3, 23-24).

O livro de RUTH demonstra que, ainda que sua linhagem de sangue não fosse Hebraica, ela estava desejando unir-se completamente a nação de Israel, louvando o Deus de Israel.

Durante a fome na Judéia, Elimelech mudou-se com sua esposa Naomi e filhos Macholon e Chilayon para Moab. Ele estabeleceu-se ali e escolheu esposas moabitas para seus filhos.
Infelizmente, Elimelech e seus filhos morreram. A mulher ficou sozinha sem filhos e sem esperanças para o futuro. Naomi decidiu retornar para sua família em Belém e, em um ato muito generoso e despido de egoísmo, liberou sua nora da obrigação de ir com ela, pois assim ela teria chance de casar outra vez.

Como na história de Tamar, na Antiguidade, mulheres casadas eram propriedades da família de seu marido, mesmo depois da morte do mesmo.

O ato de Naomi contrasta com o de Judá, que não se preocupou com o futuro de sua nora, Tamar.
A primeira nora de Naomi, orfã, chorou, mas voltou para sua casa em Moab como mulher livre.
RUTH, no entanto, escolheu seguir sua sogra de volta a Judeia. (Ruth 1:16-17).

A decisão de RUTH não foi egoísta e contradiz qualquer idéia lógica de autopreservação.
O futuro de uma viúva estrangeira, moabita, pobre, na Judéia seria uma vida solitária, extremamente pobre e rejeitada.
Ela teria que colher os grãos de cevada e trigo da manhã à noite, sofrendo o calor, sede, fome e perseguição, tentando fazer o melhor possível para cuidar da anciã Naomi.

RUTH passou a colher os feixes de grãos caídos durante a colheita no campo de um homem rico, chamado Booz, que acontece ser parente de Elimelech.

Quando Booz veio fiscalizar o serviço notou a mulher colhendo os grãos atrás de seus servos. A notícia da face bonita de RUTH não poderia deixar de ser notada em Belém.

Impressionado com a dedicação e a falta de egoismo de RUTH ele tomou a jovem sob sua proteção. Pediu que não colhesse em outro campo e se juntasse com as outras servas que possuia.

Na hora de comer convidou-a a “molhar o pão no vinagre” (14). Talvez aqui a tradução do hebreu não esteja correta, pois vinagre sugere algo como sofrimento de ambos, RUTH e Booz.

Booz abençoou Ruth com as palavras que lemos em Rut 2:8-12.
Não é coincidência que o capítulo 2 de Ruth inicie com a declaração de que Booz era um “homem poderoso e rico da família de Elimelech.

A palavra Hebraica para descrever Booz é “Gibor Haeil”, que significa um homem de valor, talvez um guerreiro, homem de reputação social.
Tal introdução torna-se necessária para informar que a esperança não estava perdida para Naomi e RUTH. Que havia um redentor que podia restaurar sua família.

A colheita de cevada tinha terminado, assim como a de trigo, e o inverno se aproximava.

Nesse meio tempo nada tinha acontecido entre Booz e RUTH. Naomi, que tinha tido grandes esperanças em um relacionamento entre os dois, decidiu tomar o assunto em suas mãos.

Ela sabia que durante o inverno RUTH teria poucas chances de ver Booz, assim, como Tamar, ela arranjou um encontro entre os dois em circunstâncias mais privadas e românticas.

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