Papel das Mulheres na Bíblia – Parte 04

Voltando a história de TAMAR, o segundo irmão, ou o parente masculino mais próximo a casar-se com a viúva, era denominado “Goel” ,em Hebreu, o Redentor da semente, nome, herança e propriedades do falecido.

Na história, Onan, o segundo filho de Judá, decidiu não consumar seu casamento com TAMAR recusando-se a ter um filho que levaria o nome de seu irmão mais velho, motivo pelo qual Deus o condenou a morte.

Judá, aterrorizado, imaginando que sua nora poderia ser uma “Mulher Fatal”, enviou-a de volta a casa de seu pai embora não a tivesse liberado das obrigações com a família.
TAMAR voltou para casa não como uma mulher livre, mas como viúva prometida ao filho mais novo de Judá, Shelal.
Tinha que usar as roupas pretas de viúva e não podia continuar com sua vida. TAMAR enfrentou uma escolha difícil. Poderia continuar descasada até o fim de sua vida, ou se dirigir aos anciãos da cidade de Adullam, pedindo para que interviessem, pois era costume proceder da seguinte forma:
“…se o segundo irmão se recusasse a cumprir esse mandamento a mulher poderia apelar para os anciãos para tentar persuadi-lo a fazer o que era correto. Caso ele continuasse a se recusar, a mulher poderia publicamente tirar as sandálias dele e cuspir em sua face como sinal de vergonha”. Por isso o homem ficava conhecido como o “descalçado”.

Porque ela não seguiu esse caminho? Talvez por que, entre os cananitas, a solução encontrada no livro das Crônicas não fosse conhecido ou praticado.
Uma outra possibilidade é que TAMAR acreditava nas promessa de Judá de que ela permaneceria como parte de sua família.
Enquanto vivia na casa de Judá ela tinha aprendido a única verdade de Deus, ouvido as maravilhosas promessas que Deus deu aos descendentes de Abraão e queria fazer parte dessas promessas. Por isso, TAMAR não queria aceitar sua situação e decidiu assumir uma posição que mudasse seu destino.

Rebelou-se então contra os padrões de sua sociedade. TAMAR desejava ter um filho e sabia que só havia uma única chance de conceber de acordo com a cultura da época, mas uma infidelidade poderia ser punida com a morte.
Ela aguardou e planejou cada passo de sua ação cuidadosamente, sabendo que a parte mais importante de seu plano era provar a paternidade.

Sabendo que Judá, recentemente viúvo, ia separar seu rebanho, disfarçou-se como prostituta e passou uma noite com ele. Sua única chance de sobreviver era provar que o homem de quem estava grávida era Judá em pessoa.
Por isso, em pagamento por seus serviços, TAMAR pediu a Judá para lhe dar seu selo, seu colar e seu bordão, os instrumentos significativos da identidade do homem na Antiguidade, equivalente, no mundo moderno, a amostra de DNA e a impressão digital.

A história chega ao ápice quando TAMAR é acusada de adultério e é levada para ser executada. Nesse momento ela gritou: “O pai de meu filho é o homem a quem pertence esses símbolos”. Judá os reconheceu e TAMAR foi salva.
Deus a abençoou com dois filhos – Perez e Zara.
Ela tornou-se a sogra do Rei Davi e entrou na genealogia de Jesus.

O que podemos aprender com TAMAR?
Ela é corajosa e brava e não aceita cegamente as regras da sua sociedade.
Ela confia em Deus e nas promessas de Judá, mesmo que ele tenha falhado em cumpri-la.

O método de TAMAR claramente não são ortodoxos. Ela rompeu vários mandamentos, entre eles o que proibe relações sexuais entre sogro e nora.

Seu desejo em ter um filho, que na Antiguidade era a única maneira da mulher cumprir seu destino e propósito na vida, foi mais forte do que seu temor por não cumprir os mandamentos.
Ela estava desejando romper com as regras e a arriscar sua própria vida para forçar Judá a manter sua promessa com ela.
Aprendeu que, algumas vezes, as regras da sociedade podem ser rompidas para um bem maior, por algo com muito maior significado e propósito mais elevado.
Não é coincidência que, imediatamente após a história de TAMAR, as escrituras voltam para a história de José no Egito e relata o encontro com outra mulher gentil, a esposa de Potifar.

A primeira vista podemos encontrar similaridades entre as duas mulheres. Entretanto, torna-se claro que são na verdade a antítese uma da outra. Os motivos de TAMAR eram para o bem: ter um filho, honrar a família e a seu falecido marido. Ela teve paciência e planejou cuidadosamente seus passos e estava disposta a arriscar sua própria vida.

A esposa de Potifar também era uma mulher livre e independente, mas tinha como objetivo seu próprio prazer.
Ela agiu por puro egoísmo, pensando apenas nela mesmo sem hesitar em destruir José com um falso testemunho, acusando-o de tê-la violentado.

As duas histórias estão juntas nas escrituras para nos lembrar que é bom, algumas vezes, questionar as regras e tradições, mas apenas se estivermos fazendo isso por Deus, e não para nós mesmos.

Se nossos motivos são puros e sem egoísmo, Deus nos abençoará, assim como o fruto de nossa obra. Dessa forma ele concedeu dupla benção a TAMAR.

Paulo fala sobre a importância do nascimento dizendo em 1 Tim 2:15: “Ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade”.
TAMAR foi salva e homenageada devido a seu grande desejo por ter filhos.

No próximo capítulo examinaremos o papel de RAAB a prostituta, que apesar de sua profissão foi contra seu próprio rei e contra suas tradições, para abraçar uma nova religião e um novo povo, com todas as dificuldades inerentes a essa adaptação.

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