O cristão diante da crise – Parte 04

A crise da doença segue o mesmo rito da perda do emprego. Ao ficar se perguntando o motivo pelo qual se ficou doente a pessoa perde a oportunidade de se renovar. Hoje as mazelas físicas nos afetam independentes de nosso cuidado. Podemos ter uma alimentação sadia, fazer ginástica todos os dias, mas não escapamos das doenças.

Fui a um médico oncologista e ele afirmou categoricamente que todos nós, em futuro próximo, teríamos câncer, diabete, doenças coronarianas, enfim, a implacável decrepitude celular fatalmente nos atingiria. A crise da doença não é um acidente de percurso, e a essência do percurso. São as dores do parto da criação, conforme nos diz S. Paulo.

Quando somos afetados, e caímos de cama, passamos a ser dependentes dos outros, muitas vezes até para andar. E se criarmos a imagem de que somos apenas a figura saudável, cheia de cor, ativa, quando caímos de cama corremos o risco de não nos reconhecermos mais e entramos em depressão.

Mas podemos utilizar a doença para nos reconciliar com nossa fragilidade física. Temos que reconhecer que somos seres frágeis, qualquer indisposição nos afeta terrivelmente.

A doença tem a capacidade de mostrar nosso verdadeiro valor, mesmo que para chegar a esse ponto sejamos obrigados a passar pela incerteza, pelo sentimento de culpa, pelo desespero e pelo medo. No entanto, esses sentimentos não nos devem deter em busca de Deus. E só conseguimos ouvi-lo no silêncio, reconhecendo nossa fragilidade, e pedindo humildemente que nos dê forças para ultrapassar essa dificuldade.

Na crise nos definimos como pessoa. Não sou definido pelo dinheiro que possuo, pelo cargo que ocupo, pelo número de amigos influentes que tenho, pela saúde que demonstro. Mas, ao me entregar a Deus encontro uma nova sustentação para minha autoimagem, sou filho muito amado de Deus, irmão de Jesus, co-herdeiro dos tesouros celestes. Minha casa é construída sobre o rochedo de Cristo e não sobre a areia de minhas ilusões. Não há crise que a abale. Principalmente quando a encaramos pela ótica histórica, como ensinou Jesus aos discípulos de Emaús.

Para esse encontro com Deus temos que romper com nosso conceito sobre ele e sobre nós mesmos. Temos que encontrar nosso verdadeiro “eu”, aquele que independe dos aspectos externos, para descobrir novos aspectos para nossa vida.

Os cegos, por exemplo, criam novas sensibilidades em seus outros órgãos e conseguem “ler”, por assim dizer, os sinais do tempo, da alegria ou da tristeza das pessoas à seu redor. Os aleijados aprendem novas habilidades físicas, descobrem novas fontes de riqueza interior e muitos competem nas olimpíadas especialmente promovidas para deficientes, exatamente para canalizar esse espírito de superação.

A bíblia diz que é na fraqueza que somos fortes. Não somos apenas nossas pernas, nossos braços, nossa vista. Somos o que pensamos e o que sentimos.

Existe crise até no sucesso. Muitas pessoas que só experimentaram sucesso na carreira profissional, subiram todos os degraus da fama e estavam no topo, perceberam que, depois de só subir, agora têm que se esforçar para não cair.

Sua posição passa a ser almejada por todos os que o rodeiam. Não consegue mais confiar em ninguém, pois enxergam em todos um concorrente em potencial que deseja derruba-lo.

A vida passa a ser angustiante. Não sabem mais o que é ter paz de espírito. Consideram todos os que o cercam como inimigos e os trata como tal.

Para esses, a descoberta de um Deus amoroso, bondoso, que não culpa ninguém pelos erros cometidos, é difícil de absorver.

Mas quando se decidem realmente a optar por Deus, experimentar abrir mão de tudo aquilo que consideravam importante – mordomias, viagens, secretárias, reuniões com autoridades – conhecem a liberdade interior, um lugar onde nenhuma crise poderá lhes atingir, um lugar onde estará realmente em casa, onde ninguém poderá atingi-lo, nem ameaça-lo, um lugar onde encontra a paz, onde habita o Senhor, um lugar onde ele será ele mesmo, sem máscaras, onde pode reconhecer no outro capacidades que lhe faltam e que o ajudará a vencer novos desafios com maior sucesso e menos esforço, pois agora não teme ser julgado por mais ninguém. Conhece perfeitamente seus limites e sabe utilizar o que cada auxiliar pode lhe proporcionar. Percebe que ao invés de temer o melhor é amar.

Meu irmão e minha irmã, no próximo texto abordarei a crise da fé. Como perdemos a fé em Deus? O que podemos fazer para voltar a nos relacionar melhor com o criador?

A Paz de Jesus

Mauro Malta

Posted in Grupo de Oração.

10 Comments

  1. muito lindo amei e quando eu paro p ler estes testos min muito bem sao palavras que tocam em min fico o dia muito feliz quando encontro uma messagem sua em meu e-mail obrigada e deus abençoe todos voces que escreve essas menssagens maravilhosa p nos que estamos em dificuldade obrigada mesmo e deus abençoe sempre amem

    • Obrigado Maria José
      Espero que você possa encontrar o conforto nessas palavras e possa refletir como nossa vida é vazia, sem sentido, quando não temos Deus em nós
      A Paz de Jesus
      Mauro Malta

    • Obrigado Reinaldo
      Precisamos colocar algumas prioridades em nossas vidas, dando a Deus o lugar que Ele merece.
      A Paz de Jesus
      Mauro Malta

    • Izaira
      Cada vez que recebo uma mensagem como a sua fico mais estimulado a continuar nessa caminhada.
      Obrigado
      A Paz de Jesus
      Muro Malta

  2. Gosto mto de seus textos, são bastante ricos.É verdade q/ mtas pessoas qdo acontece algo de ruim c/ ele ou c/ a família, pergunta o porquê. ..meu esposo mesmo é assim, já passamos por alguns momentos difíceis de doenças e etc. mas costumo falar pra meu esposo e filhos, q5 tudo isso, é p/ o nosso crescimento espiritual. O meu abraço e continue enviando mensagens lindas p/ enrricer a nossa fé.

    • Iarlis
      Todos nós temos momentos difíceis,o problema e poder enxergar o que existe por trás desses acontecimentos e não se deixar levar apenas pelo lado negativo. Deus tem sempre uma maneira de nos fazer enxergar o que aparentemente não vemos sentido, basta ter fé.
      A Paz de Jesus
      Mauro Malta

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