O cristão diante da crise – Parte 01

Vivemos momentos de crise. Crise mundial, nações antes poderosas entram em falência, outras votam para se separar de comunidades afins, as ideologias religiosas passam a justificar massacres dos que não compartilham das mesmas ideias e os seres humanos sofrem as consequências: perdem o emprego, perdem amigos, perdem o respeito por si próprio.

A psicologia descreve a vida humana como uma série constante de crises de amadurecimento e transformações. São as pequenas mortes que sofremos ao longo de nossa existência.

Morre-se para uma fase da vida, para renascer na seguinte. Passamos de solteiro para casado, vivenciamos a paternidade, a viuvez, a dependência física provocada por alguma doença. Para a psicologia são todos ritos de passagem, pequenas mortes que exigem um processo de reinvenção na maneira de agir e na forma de encarar a nova etapa da vida.

No entardecer da vida começamos um ciclo de perdas; perdemos nossos cabelos; perdemos nossa memória; perdemos nossa saúde, perdemos nosso trabalho e entramos numa fase da vida que não é mais de aquisição mas de perda.

Perdemos pessoas, devido a desentendimentos, conflitos ou raiva. Alguém pode nos roubar o emprego, a carreira, até o bom nome. Perdemos o sentido da vida, nossa fé parece vacilar. E voltamos a nos comportar como crianças.

Encaramos essas perdas como um obstáculo ao que imaginamos que deveríamos ser: bonitos, livres de desconforto, saudáveis, mas não somos. Frustrados nos sentimos credores da vida. Passamos a procurar culpados pelas nossas frustrações e infernizamos a vida dos que nos são próximos.

Além de tudo, nos conscientizamos que nosso corpo está condenado ao desaparecimento e essa fragilidade nos atemoriza. Sentimos medo do fim que se aproxima e a única ajuda que podemos ter é do amor de Deus. Mas temos dificuldade em nos apoiar nesse amor divino.

E cabe aqui uma indagação: por acaso as crianças temem sua fragilidade quando são amadas?

Nós também não deveríamos temê-la, mas estamos acostumados com o amor mundano, um amor que é condicional. Só nos amam se preenchermos determinadas exigências, se somos fortes, saudáveis poderosos, ricos, famosos.

E mesmo assim somos descartáveis. Nos amam enquanto podemos dar alguma coisa em troca, e quando cessa a contrapartida somos descartados, jogados fora, não somos mais ninguém com quem valha à pena se associar. Não somos mais úteis. É o que balman, o filósofo polonês, denominou de amor líquido.

Contrastando com esse amor efêmero, que não tem a capacidade de preencher nosso vazio existencial, o amor de Deus é incondicional. Nos ama apesar de nossas fragilidades, de nossas falhas, de nossos pecados. Nos ama simplesmente. E esse amor tem a capacidade satisfazer plenamente nosso coração, não precisamos mais buscar a aprovação de terceiros, passamos a nos amar exatamente da forma como Deus nos criou.

Por esta razão, só ultrapassamos a crise do medo da morte se nos entregamos a Deus, se compreendemos que não somos os senhores de nossa vida.

Já perceberam que nascemos de determinada cor, em determinada família, em determinada região, sem que tenhamos qualquer participação neste plano de Deus para nossa vida?

Da mesma forma não podemos decidir se seremos ou não atingidos pela crise.

Onde estávamos quando ruíram as torres em N.Y. em setembro de 2011? Onde estávamos quando o tsunami varreu a Indonésia, e mais tarde o Japão? Onde estávamos quando as chuvas persistentes ocasionaram o desmoronamento que matou centenas de pessoas em Angra dos Reis ou nas serras do Rio de Janeiro? Recordar onde estávamos é entender que fazemos parte até do que não nos acontece diretamente.

Onde estávamos? Estávamos vivendo o cotidiano de um dia que havia começado exatamente como todos os outros, até que também fomos atingidos. Atingidos interiormente, percebendo que também poderíamos ter sido afetados. As pessoas que morreram não fizeram nada para provocar a morte.

Não podemos decidir não ser atingidos pela crise. Nossa vida realmente é dependente de fatores alheios a nossa vontade.

Como poderemos atravessar esses momentos de crise? Como proceder se somos cristãos? É o que tentarei esclarecer nos próximos textos que lhe enviarei.

* Não deixe de postar seus comentários.

A Paz de Jesus

Mauro Malta

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