O Caminho de Emaús – Parte 06

Há uma frase no episódio de Emaús que nos conduz precisamente ao mistério da Comunhão:

“..RECONHECERAM-NO, MAS ELE DESAPARECEU DA SUA PRESENÇA”.

No preciso momento em que os dois amigos o reconhecem ao partir o pão, Jesus já não está com eles.

Quando o pão é dado a comer, deixam de o ver sentado com eles à mesa. Enquanto comem, Jesus tornou-se invisível.

Quando entram na mais íntima comunhão com Jesus – o estranho que se tornou amigo – deixa de estar com eles. Jesus se torna ausente.

O mistério da Comunhão mais profunda com Jesus é uma Comunhão que acontece na sua ausência.

Os dois discípulos tinham-no escutado durante muitas horas, tinham-no acompanhado de aldeia a aldeia, tinham-no ajudado na sua pregação. Ao longo de ano ele tornara-se seu mestre, seu guia, seu Senhor.

Todas as esperanças que nutriam de um futuro melhor estavam centradas nele, contudo, nunca tinham chegado a conhecê-lo plenamente, a entendê-lo perfeitamente.

“AGORA NÃO COMPREENDEIS, MAIS TARDE COMPREENDEREIS”, dissera-lhes ele muitas vezes.

“DIGO-VOS ISTO AGORA….PARA QUE MAIS TARDE, QUANDO EU JÁ NÃO ESTIVER CONVOSCO, VOS LEMBRAREIS E COMPREENDEREIS”.

Sim, tinham vivido com ele e tinham-se sentado a seus pés, tinham sido seus discípulos e até mesmo seus amigos, mais ainda não tinham entrado em plena comunhão com ele.

O seu corpo e o seu sangue ainda não se tornara um, com o corpo e o sangue dele. Sob muitos aspectos ele continuava a ser sempre o outro, aquele que ia à frente deles, mostrando-lhes o caminho.

Mas quando comem o pão que Jesus lhes dá e o reconhecem, esse reconhecimento implica em profunda consciência espiritual de que , agora, Jesus respira neles, fala neles, vive neles.

Já não são eles que vivem, é Jesus que vive neles.

A Comunhão com Jesus signfica tornarmo-nos como ele.

Com ele somos pregados à cruz, com ele somos metidos no sepulcro, com ele somos ressuscitados e caminhamos lado a lado como viajantes perdidos na sua caminhada.

De repente os dois discípulos, que o reconheceram ao comer o pão, estão novamente sozinhos. Mas não a solidão com que tinham dado início à viagem. Estão sozinhos juntos, e sabem que um novo elo de união foi estabelecido entre eles.

A Comunhão gera Comunidade. Cristo vivendo neles uniu-os de uma maneira nova. Estão sozinhos porque ele desapareceu de vista, mas estão juntos porque cada um deles está em comunhão com ele e, por isso, tornam-se um só atraves dele.

Este novo corpo é um corpo espiritual, moldado pelo espírito de amor. Manifesta-se através de formas muito concretas – o perdão, a reconciliação, o apoio mútuo, a solidariedade com todos os que sofrem, com a preocupação crescente com a justiça e a paz.

Assim, a Comunhão não só cria Comunidade, mas a Comunidade conduz sempre à Missão.

Os dois caminhantes, que tinham iniciado a fuga como rosto abatido, olham agora um para o outro com os olhos iluminados por uma nova luz.

Dissiparm-se as dúvidas de suas mentes.
Jesus está vivo, não vivo como antes, não como o fascimente pregador e curador de Nazaré, mas vivo como um novo alento insuflado neles.

Cleófas e seu amigo tornaram-se duas novas pessoas. Foi-lhes dado um novo coração e um novo Espírito. Não são mais pessoas capazes de trocar entre si consolação e apoio enquanto choram suas perdas, mas pessoas com uma nova missão que, juntas, tem qualquer coisa a dizer.

Todos os outros precisam saber o que lhes sucedeu. Precisam saber que não está tudo acabado. Precisam saber que Jesus está vivo e que eles o reconheceram quando lhes estendeu o pão.

Não há tempo a perder. Partamos imediatamente, dizem um ao outro.
A história resume tudo em poucas palavras:

“LEVANTANDO-SE VOLTARAM IMEDIATAMENTE PARA JERUSALÉM.”

Que diferença entre o seu “ir para casa” e o seu regresso a Jerusalém. É a diferença entre a dúvida e a fé, o desespero e a esperança, o medo e o amor.

A Comunhão não é o fim. O fim é a missão.

“AQUILO QUE OUVISTES E VISTES NÃO É APENAS PARA VÓS. É PARA VOSSOS IRMÃOS E PARA TODOS AQUELES QUE ESTIVEREM PREPARADOS PARA RECEBER O ANÚNCIO.”

É importante perceber primeiro, que se trata de uma missão dirigida àqueles que não são estranhos para nós. Eles nos conhecem e, tal como nós, também ouviram falar de Jesus, mas perderam a coragem.

A missão dirige-se sempre aos nossos, à nossa família, amigos, àqueles que partilham da intimidade de nossa vida e nisso reside um grande desafio.

Por que razão haviam els de nos tormar a sério? Nós não somos assim tão dignos de confiança, não somos tão diferentes de nossa família e amigos. Há boas razões para certo ceticismo.

Os que não foram conosco à Eucaristia não são melhores nem piores do que nós. Eles foram batizados, outros chegaram a frequentar a Igreja mas depois, pouco a pouco, a história de Jesus passou a ser apenas uma história. A Igreja passou a ser obrigação, a Eucaristia transformou-se num ritual. A certa altura tudo passou a ser uma recordação amarga ou doce.

A certa altura qualquer coisa morreu dentro deles.

E por que alguém que nos conhece bem, haverá de acreditar subitamente em nós? Toda gente de nossa casa, que nos conhece bem, sabe de nossa impaciência, nossos ciúmes, nossos ressentimentos.

Além disso, há nossas relações fracassadas. Nossas promessas para cumprir e compromissos não respeitados.
Toda gente que vive conosco está pronta a pôr-nos à prova

Os dois amigos começam a entrar numa nova relação mútua, uma relação construida na Comunhão que tinham experimentado.
A sua Comunhão com Jesus era de fato um princípio de Comunidade, mas só um princípio.

Eles precisavam se encontrar com os outros que também acreditavam que Jesus tinha ressucitado, que também o tinham visto ou tinham ouvido dizer que ele estava vivo.
Precisavam ouvir todas essas histórias, cada uma diferente das outras, e descobrir as muitas formas pelas quais Jesus e o seu Espírito operavam no meio do seu povo.

É tão fácil reduzir Jesus ao “Nosso Jesus”, à nossa experiência do seu amor, à nossa maneira de o conhecermos.

Jesus porém, deixou-nos para poder enviar-nos o seu Espírito, e o seu Espírito sopra aonde quer e como quer.

A Comunidade de fé é o lugar onde são contadas muitas histórias da forma de manifestação de Jesus.
O Espírito se manifesta através de muitas pessoas, tanto por palavras, como pelo silêncio, tanto através da confrontação, como do convite, tanto com doçura, como com firmeza, tanto com lágrimas, como com sorrisos.

Então, iremos discernir gradualmente que todos nós pertencemos uns aos outros, como um só corpo entretecido pelo Espírito de Jesus.

Aqui acaba a história de Cleófas e seu amigo. A sua missão, porém, não acaba aqui, aliás ela mal começou.

A narrativa da história do que sucedeu no caminho, e à volta da mesa, é o princípio de uma vida de missão vivida todos os dias de nossa vida, até que o vejamos de novo face a face.

Você tem uma missão a cumprir nessa vida. Não deixe de seguir esse chamado divino. Jesus deseja que você o siga e promete uma vida inteiramente diferente da que você viveu até agora. Uma vida que o liberta das preocupações sobre o futuro, do arrependimento do passado e apresenta a maravilha que é viver intensamente o presente que, como a palavra diz, é UM PRESENTE para você. Leia o livro SOB A LUZ DE DEUS e veja como sua vida pode ser transformada.

Que o reconhecimento da presença de Jesus em sua vida seja sempre uma surpresa agradável.

A Paz de Jesus.

Mauro Malta

Posted in Grupo de Oração.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *