O Caminho de Emaús – Parte 04

Vivemos num mundo em que as palavras pouco valem.
As palavas parecem afogar-se em anúncios, cartazes, panfletos.

À medida que foram aumentando em número, as palavras foram perdendo seu valor.

Não é de admirar que as palavras da Eucaristia sejam escutadas sobretudo como palavras que nos informam.

Como a maioria de nós já ouviu essas palavras, poucas vezes elas nos tocam em profundidade.

Muitas vezes mal lhe prestamos atenção. Tornaram-se demasiado familiares.
Já não esperamos que nos surpreendam ou comovam.

A tragédia é que, assim, a palavra perde sua qualidade sacramental, ou seja, sagrada, e como toda palavra sagrada torna presente aquilo que proclama.

Quando Jesus falou aos discípulos e lhes explicou as palavras das Escrituras que a Ele se referiam, seus corações começaram a arder, ou seja, experimentaram a presença de Jesus.
Ao falar da sua pessoa Jesus tornou-se presente para eles.

Quando dizemos que a Palavra de Deus é sagrada, queremos dizer que a Palavra de Deus está cheia da presença de Deus.

No caminho de Emaús Jesus tornou-se presente através de sua Palavra e foi essa presença que transformou a tristeza em alegria.

A Palavra de Deus é uma Palavra que nos cura através da escuta, enquanto a escutamos aqui e agora.

Quando Jesus se junta a nós no caminho, e nos explica as escrituras, devemos escutar com todo o nosso ser, confiando que a Palavra que nos criou também vai nos curar.

Sem a Palavra que faz arder nosso coração pouco mais podemos fazer do que voltar para casa, resignados com o triste fato de que não há nada de novo debaixo do sol…

Sem a Palavra, a nossa vida tem pouco sentido, pouca energia;
Sem a Palavra, continuamos a ser pessoas mesquinhas, que levam vidas mesquinhas e sofrem morte mesquinhas.

De todas as Palavras que aquele estranho proferiu houve uma que ficou gravada na mente dos caminhantes:

“GLÓRIA”.

Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?

O coração de ambos ainda estava tão cheio das imagens de morte e destruição que “Glória” não parecia condizer com os acontecimentos passados e, no entanto, proferidas por aquele estranho “incendeia” o coração dos caminhantes, fazendo-os ver aquilo que não tinham conseguido ver até então.

O regresso a casa tornara-se uma coisa boa.
A casa é onde se encontra a mesa. A mesa à volta da qual nos sentamos para comer e beber com amigos, por isso os dois caminhantes exclama:

“FICA CONOSCO, POIS A NOITE VAI CAINDO E O DIA JÁ ESTÁ NO OCASO”.

O estranho não pede para ser convidado, não pede um lugar onde possa ficar, contudo, os dois companheiros insistem para que Ele entre, quase o obrigando a ficar. O estranho entra para ficar com eles.

Talvez não estejamos habituados a pensar na Eucaristia como um convite feito a Jesus para ficar conosco.

Estamos mais inclinados a pensar que é Jesus quem nos convida a partilhar a sua casa, a sua mesa, a sua refeição.

Jesus porém, quer ser convidado.
Se não o for, prosseguirá viagem em busca de outros lugares.

Jesus nunca nos força a aceitar sua presença.
A menos que o convidemos continuará a ser um estranho, possívelmente um estranho muito atraente, inteligente, mas não deixa de ser um estranho.

Por muito interesante, inspirador, estimulante que todos os estranhos possam ser, se eu não os convidar para minha casa

NADA ACONTECE VERDADEIRAMENTE.

Podem transmitir algumas idéias novas, mas a minha vida continua a ser basicamente igual ao que já era.

Sem convite, que é a expressão do desejo de uma relação perdurável, a boa notícia que ouvimos não poderá dar frutos duradouros, continua a ser uma notícia entre tantas outras.

Jesus é uma pessoa muito interessante. Suas Palavras são cheias de sabedoria, sua presença aquece o coração. Sua bondade toca profundamente nosso ser. Mas será que o convidamos para nossa casa? Será que desejamos realmente que Ele veja nossa vida quotidiana?

A Eucaristia requer este convite.
Devemos nos atrever a dizer:

“EU CONFIO EM TI, ENTREGO-ME A TI COM TODO O MEU SER, CORPO, MENTE E ESPÍRITO. QUERO QUE TE TORNES MEU AMIGO MAIS ÍNTIMO.
QUERO CHEGAR A CONHECER-TE, NÃO SÓ COMO MEU COMPANHEIRO DE VIAGEM, MAS TAMBÉM, COMO O COMPANHEIRO DA MINHA ALMA.”

Falar é fácil, difícil é realmente se entregar.
Há certas partes do meu ser que até de mim próprio eu escondo.

Há pensamentos, sentimentos, emoções tão perturbadores que prefiro viver como se eles não existissem.

Meus irmãos e minhas irmãs, será que já convidamos Jesus para nossa casa? Para partilhar nossa vida quotidiana?

Há pensamentos, sentimentos, emoções tão perturbadores que prefiro viver como se eles não existissem.

Meus irmãos e minhas irmãs, será que já convidamos Jesus para nossa casa? Para partilhar nossa vida quotidiana? Leia o livro de Dom Cipriano SÓ NO AMOR HÁ PODER e descubra o poder do amor em sua vida e na vida dos que o circundam. Você pode mudar o mundo a seu redor! Experimente!

No próximo texto exploraremos a forma como Jesus se fez presente na ausência.

A Paz de Jesus
Mauro Malta

Posted in Grupo de Oração.

2 Comments

  1. Que reflexão maravilhosa!
    Minha comunhão nunca mais será a mesma. Convidarei Jesus a ficar na minha casa, a casa do meu coração, da minha vida.
    Obrigada
    Regina Freitas

  2. OBRIGADO REGINA

    A comunhão é realmente o ponto culminante da Missa e quanto mais intensamente vivermos esse momento, mais íntimos nos tornamos de Deus.
    A Paz de Jesus

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