O Caminho de Emaús – Parte 03

Enquanto os discípulos regressavam a casa chorando a sua perda Jesus lhes aparece e começa a caminhar ao lado deles.

Mas os olhos de ambos estão impedidos de o reconhecer. De repente já não são dois, mas três pessoas a caminhar e tudo se torna diferente. Os dois amigos já não tem os olhos fixos no chão. Agora, fixam o olhar naquele estranho que se junta a eles e lhes pergunta sobre o que falavam.

Segue-se o relato da perda. Então, qualquer coisa muda. O estranho começa a falar, e suas palavras suscitam interesse. Primeiro fora ele quem os escutara, agora inverteram-se as posições.

Falava de coisas que eles já sabiam: o seu longo passado, seu nascimento, a história de Moisés , dos profetas.

Era uma história que eles conheciam, contudo, parece que estavam a ouvi-la pela primeira vez. A diferença residia no narrador. O que parecera tão opressivo começava a revelar-se libertador.

O que parecia fonte de tristeza, começava a assumir a qualidade de alegria.

Os dois discípulos começaram a perceber que suas vidas não eram tão pequenas como pensavam, mas fazia parte de um grande mistério que não só abrangia muitas gerações, mas que se estendia de um lado a outro da eternidade.

O estranho não dissera que não havia razões para estarem tristes, mas que sua tristeza fazia parte de uma tristeza mais vasta que encerrava em si a alegria.

Aquele estranho não dissera que a morte que choravam não era real, mas que essa morte dava início a uma vida ainda maior – a verdadeira vida.

O estranho não dissera que eles não tinham perdido um amigo que lhes transmitia uma nova coragem e uma nova esperança, mas que aquela perda abriria caminho para uma relação muito superior a qualquer tipo de amizade que eles jamais tivessem experimentado.

Aquele estranho não lhes trouxera consolações fáceis, não tivera receio de penetrar as defesas de ambos e de os chamar a ultrapassar sua estreiteza de mente e de coração

“OH! HOMENS SEM INTELGÊNCIA E LENTOS DE ESPÍRITO PARA CRER”, dissera ele.

Estas palavras são duras, nos ofendem e nos põe em defensiva, mas também podem abrir uma brecha no medo e no amor próprio conduzindo-nos a um conhecimento completamente novo do ser humano.

“HOMENS SEM INTELIGÊNCIA, VOCÊS NÃO VÊEM, NÃO OUVEM, NÃO SABEM?”

‘ENQUANTO LAMENTAM VOSSAS PERDAS NÃO PERCEBEM QUE ESSAS PERDAS OCORRERAM PARA VOS TORNAR CAPAZES DE RECEBER O DOM DA VIDA?”

O estranho tivera que lhes chamar “HOMENS SEM INTELIGÊNCIA” para os fazer ver.

E qual o desafio que lhes lança? CONFIAR!

Eles não confiavam que a experiência que tiveram fosse mais do que a experiência de uma perda irremediável.

Não confiavam que houvesse mais qualquer coisa a fazer do que regressar a casa, à sua forma antiga de viver.

“HOMENS LENTOS DE ESPÍRITO PARA CRER”

Lentos para saltar por cima das suas inúmeras queixas e descobrir o vasto espectro de novas oportunidades.

Lentos para ultrapassar as dores do momento para as enxergar como parte de um processo de cura mais amplo.

Alguém tem que abrir nossos olhos e nossos ouvidos, ajudando-nos a descobrir o que se encontra além de nossa própria percepção.

Alguém tem que incendiar o nosso coração!

É com sua misteriosa presença que o “Serviço da Palavra”, durante cada Eucaristia, pretende fazer-nos entrar em contato com a presença de Jesus.

As leituras do Antigo e do Novo Testamento, e a Homilia que se seguem, nos são dadas para discernirmos a presença de Jesus enquanto ele caminha a nosso lado, na nossa tristeza.

Embora essas palavras sirvam para nos informar, instruir ou inspirar, o seu primeiro significado é que elas se tornam o próprio Jesus presente para nós.

A sua única razão de ser é fazer arder o nosso coração.

Você alguma vez sentiu esse ardor em seu coração? Sentiu que Jesus estava perto de você, apoiando-o nos momentos mais importantes de sua vida? Aconselhando-o a tomar o caminho certo, apesar de mais difícil? Leia o livro de Dom Cipriano VOCÊ MAIS JESUS IGUAL A VITÓRIA TOTAL e veja como Jesus quer estar a seu lado naqueles momentos em que pode pensar estar sozinho, sem amparo, sem esperança.

 

A Paz de Jesus

Mauro Malta

Posted in Grupo de Oração.

2 Comments

  1. Como me identifico com esses apóstolos a caminho de Emaus, como tenho dificuldade de sentir a presença de Jesus nos momentos difíceis.
    Obrigada pelo envio deste texto.

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