O Caminho de Emaús – Parte 02

Tal como os dois discípulos, também nós dizemos: “Esperávamos, mas perdemos a esperança!”

Tal como os dois discípulos, nossas cabeças não estão erectas na expectativa, mas decaídas, com o olhar fixo no chão.

Quando somos atingidos por perdas atrás de perdas é muito fácil ficarmos desiludidos, amargurados e cada vez mais ressentidos.

A medida em que cumprimos novas etapas em nossa caminhada, a medida em que envelhecemos, maior é a tentação de dizer: “A vida enganou-me. Não há futuro para mim. Já não tenho nada a esperar!”

O ressentimento é uma das forças mais destrutivas de nossa vida. Pode tornar-se uma forma de vida que invade todas as nossas palavras e ações impedindo-nos de o reconhecermos como tal.

Será que haverá alguém que não tenha ressentimento? O ressentimento é uma reação óbvia às nossas inúmeras perdas.

Entretanto, a EUCARISTIA apresenta outra opção. É a possibilidade de escolhermos não o ressentimento, mas a gratidão.

Chorar nossas perdas é o primeiro passo. As lágrimas do nosso desgosto são capazes de amaciar nosso coração endurecido e de nos abrir à possibilidade de dizer – OBRIGADO!

Chorando nossas perdas aprendemos a conhecer a vida como um dom. A beleza e o caráter precioso da vida estão intimamente ligados à sua fragilidade e mortalidade.

Os discípulos que voltavam a Emaús estavam tristes porque haviam perdido aquele em quem tinham colocado toda a esperança, mas também estavam conscientes de que seus próprios chefes o tinham crucificado.

Percebiam que seu desgosto estava associado ao mal. Um mal que eles também reconheciam no seu próprio coração.

Enquanto nos mantivermos agarrados às nossas queixas acerca da época terrível que vivemos e das situações desastrosas que temos que suportar, nunca poderemos chegar à contrição.

Quando nossas perdas são puro destino, nossos ganhos são pura sorte. Mas o destino não conduz à contrição, nem a sorte à gratidão.

Fiquemos certos que nenhuma perda pode ser chorada sem uma certa intuição de que acabaremos por encontrar uma nova vida.

Quando os discípulos revelaram a grande perda que tinham sofrido, também contaram a estranha história das mulheres que tinham encontrado o sepulcro vazio, e a quem tinham aparecido anjos e mostraram-se desconfiados, embora tivessem acrescentado: “Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito, mas Ele, não o viram.”

É assim que nós, geralmente, nos aproximamos da Eucaristia. Com uma mistura de desespero e esperança, pensando: “Esperava um mundo melhor, a verdade, porém, é completamente diferente.”

Isso nos desperta para a amarga verdade de que nossa juvenil esperança foi crucificada. No entanto, outras histórias continuam a aparecer, histórias de perdão, de cura, de bondade, de beleza e de verdade.

A medida em que escutamos com atenção as vozes mais profundas de nosso coração, percebemos que embaixo de nosso ceticismo e cinismo há um anseio de amor, unidade e comunhão.

Uma oração continua a emergir da profundidade de nosso ser e atravessa as paredes de nosso cinismo:

“SENHOR TENDE PIEDADE!”

Sim, somos pecadores, tudo se perdeu e já nada resta dos nossos sonhos e esperanças. Mesmo assim, ouve-se uma voz:

“BASTA A MINHA GRAÇA!”

E voltamos a clamar pedindo cura de nosso coração cínico, atrevendo-nos a acreditar que no meio de nosso luto ainda conseguimos encontrar um dom que suscite em nós gratidão.

Quantas vezes você já orou, implorando a Deus para lhe atender e não recebeu o que pediu? Quantas vezes você ficou insatisfeito por não perceber a ação de Deus em sua vida? Esqueceu que Ele lhe concedeu vida para viver em plenitude. Esqueceu que Ele deseja que você agradeça por tudo o que lhe acontece, pois na verdade Ele só deseja o seu bem. Leia o livro de Dom Cipriano SUAS ORAÇÕES NÃO SÃO RESPONDIDAS? E compreenda o por quê você sente que Deus não lhe ouve.

Meus irmãos e minhas irmãs, no próximo texto avançaremos um pouco mais sobre esse relato que se revela cada vez mais semelhante à nossa vida.

A Paz de Jesus
Mauro Malta

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One Comment

  1. Magnifico texto, exatamente como os
    discípulos de Emaus não conseguimos enxergar o que está tão claro na comunhão. É Deus que se dá presente e teimamos em não vê-lO.
    Obrigada pelo envio
    Regina Freitas

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