O Caminho de Emaús – Parte 01

Dois homens caminhavam lado a lado, com os ombros curvados, cabisbaixos, sequer olhavam um para o outro.

Regressavam para casa, mas a sua casa deixou de ser o local acolhedor e repousante. A sua casa transformou-se em vazio, em desilusão e desespero.

Tinham deixado a sua aldeia para seguir aquele estranho, e tinham descoberto uma realidade completamente nova, uma realidade em que o perdão, a cura e o amor tinham deixado de ser meras palavras para se transformarem em poderes que tocavam o âmago de sua humanidade.

O estranho de Nazaré tornara tudo novo, trouxera a alegria e a paz à sua experiência quotidiana. Transformara a vida de ambos numa festa.

Agora estava morto, seus membros tinham sido dilacerados, seus olhos tinham-se tornado buracos vazios, suas mãos tinham perdido as forças e seus pés a firmeza

Se tornara um ninguém num mundo de ninguém. Tinham-no perdido. Não só a ele, mas também a si próprios que regressavam a casa sem terem casa.

Sob muitos aspectos nós também somos como eles. Porventura não estamos tão perdidos como eles?

Se há alguma palavra que resuma bem a nossa dor, essa palavra é perda.

Já perdemos tanta coisa! Quando nascemos perdemos a segurança do ventre materno; quando fomos pela primeira vez a escola perdemos a segurança de nossa vida familiar; quando arranjamos o primeiro emprego perdemos a liberdade da juventude; quando envelhecemos perdemos nossa boa aparência, nossos amigos a saúde, a independência física e, finalmente, quando morremos, perdemos absolutamente tudo.

Todas essas perdas fazem parte de nossa vida. Durante muito tempo nos imaginávamos como pessoas de sucesso, queridas e profundamente amadas.

Tínhamos uma visão de nós mesmos como reconciliadores e construtores da paz, mas acabamos por perder nossos sonhos, tornamo-nos pessoas preocupadas, ansiosas, agarrando-nos às poucas coisas que conseguimos amealhar, trocando com os outros notícias dos escândalos políticos e sociais.

No fundo, encontra-se a perda da convicção de que nossa vida tenha algum sentido – Perdemos a fé.

Na medida em que envelhecemos vamos descobrindo que aquilo que nos sustentava –a oração – o culto – os sacramentos – a vida em comunidade e o conhecimento do amor de Deus – já não tem a força antiga. Já não conseguimos entender o como e o porquê da nossa antiga motivação

Pouco a pouco chegamos à conclusão de que Jesus tornou-se um estranho para nós. Em certo sentido, nós o perdemos.

O que fazer com nossas perdas? Ocultá-las? Viver como se elas não fossem reais? Compará-las com a de outros? Responsabilizar alguém?

Na verdade, quase sempre fazemos tudo isso. Mas há ainda outra alternativa – CHORAR!

Não podemos afugentar nossas perdas com palavras ou atos, mas podemos derramar lágrimas sobre elas, entregando-nos ao nosso profundo desgosto.

Nosso desgosto faz-nos experimentar o abismo da nossa própria vida em que nada é firme, claro ou óbvio. Em que tudo se encontra em constante mudança e transformação.

Contudo, no meio de nossa dor, ouve-se uma voz que nos enche de surpresa:

“BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM PORQUE SERÃO CONSOLADOS”.

Eis a notícia inesperada – há uma benção escondida no fundo do nosso desgosto

Não são bem aventurados os que consolam, mas os que choram!

Meus irmãos e minhas irmãs, no próximo texto continuarei esse relato que, na verdade, tem muito de nossa caminhada espiritual.

A Paz de Jesus
Mauro Malta

Posted in Grupo de Oração.

7 Comments

  1. Gostei sim da passagem escolhida. Tenho profundo respeito por essa comunidade porque há tempos assistia um programa na canção nova de Dom Cipriano e me trazia muuitaa paz!!! comprei o livro cura profunda e simplesmente não largo o tal livro, quero assimilar cada palavra de sabedoria nele contida… Respeito nto o trabalgo de vcs!!! Abraco

  2. Que Deus abençoe a Comunidade Emanuel pelo texto que nos faz refletir e assegurar que Jesus está conosco nesses tempos difíceis, em que muitas vezes baixamos nossas cabeças ante às realidades desafiadoras com as quais vivemos, onde muitas vezes nos dá vontade de chorar devido as tantas mudanças ocorridas nas nossas vidas. Entretanto muitas vezes contemos o nosso choro. E agora digo para mim mesmo: chore, porque quem serão consolados são aqueles que choram e não aqueles que consolam, como bem diz o texto.
    Meu irmão Mauro, são essas meditações da Palavra de Deus que nos mantêm em pé! Sei que Deus está comigo. Sei que tenho que me alimentar bastante com a Palavra de Deus, ruminá-la por várias vezes, a fim de que quando virem as “intempéries” eu me mantenha centrado na Cruz de Cristo, sabendo que somente nesta Cruz é que encontrarei salvação.
    Perseverem nos mantendo “alimentados” com as “coisas de Deus”!
    Deus vos abençoe!

  3. EXCELENTE REFLEXÃO, Mauro…!!!!!

    O PODER de nossa FÉ na VIDA ETERNA, ilumina nosso caminho e fortalece nossa caminhada cheia de perdas e transformações, em grande parte positivas e em muitas vezes “aparentemente” negativas…

    A FORÇA e o PODER da FÉ são capazes de gerar GRANDES TRANSFORMAÇÕES e nos fornecer a CORAGEM suficiente para enfrentarmos as maiores dificuldades, perdas inesperadas e todo o desgaste que o decorrer da vida nos proporciona.

    O que mais me inspira em manter esta FORÇA recorrente da FÉ é o meu testemunho permanente de seu enorme PODER de RENOVAÇÃO…

    Portanto, JESUS e seu legado nunca será ou estará estranho para mim enquanto a CHAMA de minha FÉ estiver ACESA até alcançar o estágio da VIDA ETERNA…

  4. Como sempre um bom texto. Esta passagem do
    Evangelho do caminho de Emaus me toca muito , principalmente nas palavras dos discípulos: ” Fica conosco Semhor é tarde e a noite já vem”. Sempre é tarde para ficarmos com Jesus.

  5. Caro irmão:Obrigada por compartilhar a minha passagem bíblica preferida hoje.Nas tristezas da vida ela sempre me faz lembrar que Jesus nunca está longe…Deus o abençoe.

  6. Sim Mauro realmente esta reflexão retrata nossa vida …Agradeço sempre a Deus por ter conhecido a Comunidade Emanuel e por ter recebido tantos ensinamentos que mudaram minha vida.Deus os abençoe.Bjs para Theresa e Dom.

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