LECTIO DIVINA – Parte 03

Continuação…

O Jesus no evangelho de Marcos se caracteriza pelo ênfase dos marginalizados pela sociedade, quer por condições de saúde – cegos, coxos, leprosos – quer pela condição social – coletores de impostos – bem como pelos conflitos com os representantes da religião judaica – fariseus e escribas – portadores do legalismo, contrário ao projeto de libertação praticado por Jesus.

O Cristo de Marcos tem cheiro de gente e seu ambiente é a desprezada Galiléia, em contraste com Jerusalém, a capital da fé judaica, que se torna assim, símbolo da oposição a Jesus. Para esses, Jesus é percebido como dominado por forças malignas.

Além da oposição dos líderes religiosos de Jerusalém, deve-se notar, ainda a confusão do entendimento dos discípulos de Jesus sobre seu verdadeiro objetivo entre nós. Para eles, Jesus era o Messias que visava a recuperação do antigo reino de Davi.

Marcos não escreveu seu evangelho visando o povo judeu, mas aos gentios convertidos.`

O terceiro evangelho, de LUCAS, escrito praticamente na mesma época do evangelho de Mateus, nos anos 80, segue o caminho dos antigos Profetas e anuncia o tempo de perdão de Deus. Os endividados e os excluídos retomam sua dignidade e passam a agir como agentes de transformação do mundo.
Lucas enfatiza a gratuidade e a universalidade da salvação. Para ele as fronteiras da etnia judaica são estreitas demais.

Nesse evangelho Jesus é o novo Elias, o grande profeta do tempo dos reis de Israel. Elias fez um jejum no deserto, era movido pelo Espírito Santo, fazia milagres que manifestavam a misericórdia de Deus aos pobres, as viúvas, os estrangeiro. Foi arrebatado ao céu, enquanto se espera sua volta.

Lucas quer também sublinhar o aspecto profético do Messias, do Cristo, para corrigir a tendência de pensar em alguém como o rei Davi

O último evangelho, de JOÃO, teve seus capítulos finais escritos por volta de 90-95 dC, quando a comunidade cristã sofria a competição do judaísmo que se estava rearticulando e chegou a expulsar de seu meio os que acreditassem em Jesus Cristo.

Esse “judaísmo dos rabinos” e não mais do templo, certamente exercia grande atração sobre os cristãos de raiz judaica, que parecem constituir a maior parte da comunidade “joanina”.

O objetivo da obras se exprime nas versículos finais -20, 30-31 visando fortalecer os fiéis na fé que confessa Jesus como Messias e Filho de Deus, os 2 pontos que estavam sendo atacados pelos rabinos da renovada comunidade judaica.

O ambiente dominado pelo movimento agnóstico foi o berço onde se gestou o evangelho de João.
Com texto inovador propõe novas abordagens, apresentando Jesus como inaugurador de nova etapa histórica, ou seja, uma nova criação.

Remete ao texto do Antigo Testamento, do Gênese, contrastando Adão com Jesus, a desobediência do primeiro com a obediência total do segundo que obedeceu até a morte.

Dialogando com a cultura grega promove a conjugação da tradição judaica com a linguagem metafórica.
Complementando a autoafirmação de sua divindade – “EU SOU” – surgem novos atributos imagéticos : A PORTA, A VIDEIRA, O CORDEIRO DE DEUS, O PÃO DA VIDA, etc.

Como último argumento desemboca na busca incensante do homem pelo significado de Deus, concluindo que: DEUS É AMOR.

Com base nessa exposição pretendo apresentar a você, meu irmão e minha irmã, uma série de exemplos de LECTIO DIVINA, obtida através de exposições e escritos de monges beneditinos, entre os quais os livros Dom Anselmo e Dom Basílio, que editaram livros especialmente destinados a divulgar a LECTIO DIVINA, o primeiro intitulado A REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO, e o segundo DIÁLOGOS COM A PALAVRA.

Além desses livros serviram de base para essa nossa conversa sobre o tema os diversos livros de Dom Cipriano, e palestras do bispo de Petrópolis, Dom Gregório, também beneditino.

Além dessas autoridades utilizei, ainda, os vários comentários do Frei Raniero Cantalamessa.

Espero que aproveitem essas reflexões e que motivem a outras mais, geradas pela compreensão individual de como aprofundar seu próprio relacionamento com a Palavra de Deus.

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