Felicidade – Parte 02

No primeiro capítulo recordamos que felicidade não é coisa para se buscar ansiosamente. Ao contrário. É como um pássaro que pousa em sua mão, mas se desejar pegá-lo ele foge.

Hoje gostaria de frisar a importância de nos interiorizarmos, de nos voltar para dentro, ao invés de pretender surpreender os que nos cercam. Olhar para fora com o olhar de dentro.

Por mais que andemos à procura da felicidade nunca a encontraremos longe de nós. Nunca a encontraremos em outra pessoa, nem na profissão, nem no sucesso, nem na riqueza. Ela só pode estar dentro de nós. Por isso temos que nos abrir, arriscar a viver plenamente, sem preconceitos.

Mas muitos deixam a felicidade passar. Ficam à espera da grande felicidade e se decepcionam quando ela não vem. Ou então ficam trabalhando sem cessar em busca de mais riqueza, para só depois usufruir uma felicidade que não pode ser comprada, pois como se disse antes, não está fora, mas dentro de nós.

Mas enquanto andavam em busca da grande felicidade, deixaram passar as pequenas alegrias espalhadas pelo caminho de nossa vida.

Ficamos como que adormecidos e não percebemos as coisas que acontecem a nosso redor.

Procuramos a felicidade em outro lugar, nos sonhos ou nas ilusões e nos frustramos.

Para experimentar a felicidade é preciso despertar, abrir os olhos para perceber o que existe a nosso redor. Adotar o provérbio tcheco: “olhar pela janela de Deus.”

Tenho uma filha insatisfeita: vai a uma festa mas fica pensando que seria melhor estar em outra festa realizada na mesma hora. Não sossega enquanto não sai da primeira para ir à segunda.

Nessa tentativa desenfreada de obter mais diversão, acaba não conseguindo encontrar a alegria que busca com tanto afinco, porque está sempre com a mente no local onde não está presente.

A festa do vizinho é sempre mais animada

Qual é seu erro? Não viver o momento presente.

Será que a primeira festa estava tão ruim assim? Será que a segunda estava pior do que a primeira?

O ser humano é movido por desejos. E os desejos são infinitos, enquanto nós, seres humanos, somos finitos.

Dar atenção a tudo que se faz envolve a vida com um halo de suavidade. Mas essa atenção não nos é dada “de bandeja”. É necessário treiná-la diariamente.

Por maiores que sejam nossas posses não podemos comprar o prazer de viver.

Só nos resta aproveitar o que Deus nos dá saboreando a vida como ela se nos apresenta.

Mas o deleite também pressupõe a medida certa. Desejos exagerados e avidez insaciável acabam levando sempre à decepção.

Existe um ditado na Grécia que diz:  “Nada deixará contente aquele que não se contenta com pouco.”

O ser humano deixa de ser dono de si quando permite que seus apetites o comandem.

Quem devora com avidez um pedaço de bolo atrás do outro não pode sentir a alegria do prazer e, em pouco tempo, ficará aborrecido por ter comido demais.

Já aquele que comeu apenas um pedaço pode deliciar-se enquanto come e por longo tempo. Esse guardará o sabor da alegria, não apenas na boca, mas também no coração.

A vida tem nos ensinado que não adianta forçar as coisas. É necessário que o tempo esteja maduro. Isso vale para o amor entre o homem e a mulher, vale também para as decisões mais importantes que tomamos na vida.

O amor é a realidade decisiva de nossa vida. Confie no amor, mas vá até o fundo dele, porque lá você vai encontrar Deus como a verdadeira fonte de seu amor.

Se oferecer a Deus tudo o que há em você haverá de sentir um amor que o ama sem condições prévias. Vai experimentar uma presença que cura e ama e o envolve e lhe dá abrigo.

Se oferecer a Deus tudo o que há em você haverá de sentir um amor que o ama sem condições prévias diferente do amor que o mundo nos oferece que é sempre condicional: só o amo se você for rico, bem situado socialmente, tiver uma casa a beira mar com iate no cais.

Com o amor de Deus você vai experimentar uma presença que cura e ama e que o envolve e lhe dá abrigo.

O amor desperta em nós uma energia que nos faz descobrir nosso próprio mistério. Ele é capaz de transformar nosso coração vazio em um lugar de luz e beleza. Mas isso demanda vagar.

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