Felicidade – Parte 01

Meus irmãos e minhas irmãs.

O ano de 2016 está chegando ao fim com tudo que o que realizamos e tudo o que deixamos de realizar. Nossos sonhos frustrados pela crise que abateu o país, as oportunidades perdidas, as escolhas erradas, enfim, o fruto de nossa vida.

Uma coisa, porém, ficou latente, querendo sair de dentro de nós – o desejo de ser feliz, não importa se o ano foi mais para escuridão do que para luminosidade. Afinal, mesmo nos maus momentos existem brechas para não desanimarmos e usufruir da criação, de tudo o que Deus fez para que o ser humano fosse mais alegre, mais feliz, mais pleno, exatamente como Ele queria que fôssemos.

Então, o que deu errado? Será que ele queria mesmo que sofrêssemos só para nos ensinar a caminhar pelo caminho reto? Não acredito. Esse não é o meu Deus, um Deus que nos criou para sermos os senhores da terra, para cuidar da criação, impedir sua destruição, não iria querer que sofrêssemos, ao contrário. Infelizmente, o ser humano se distanciou dos desejos de Deus e, pela ganância, pelo desejo de ser Deus e transformar o mundo a seu critério, fez da criação o que vemos.

A culpa não é de Deus, mas nossa. Somos nós que destruímos a beleza do que existia para ganhar mais, para lucrar mais, o objetivo continuava a ser a busca da felicidade, pois consideravam que só depois de conseguir transformar o mundo poderiam ser feliz e alegres. Mas como, se tudo aquilo que foi criado com tanto carinho foi destruído para dar lugar a criação do ser humano?

Essa reflexão levou-me a partilhar com vocês, neste final de ano, de um texto sobre felicidade.

Espero que gostem, esperando que o ano de 2017 revigore nossas esperanças de grandes mudanças, mudanças externas, na vida política, social e econômica do país, e internas, no coração de cada um de nós. Recriando-nos em novos seres humanos, mais humildes, com mais sabedoria, menos orgulhosos, mais carinhosos, menos egoístas,
Afinal, o que é felicidade? Antigo provérbio tcheco diz sobre pessoas que vivem contentes, que sabem usufruir o tempo que têm:

“Eles olham pela janela de Deus,” ou seja, encaram a vida como Deus nos recomendou, com o coração aberto a novas experiências, sem preconceitos, perdoando os próprios defeitos e, assim, tendo humildade para perdoar os outros. Dom Cipriano explica bem esse desejo de Deus em nos ajudar. Mostra que primeiro temos que abrir nosso coração e deixar que Ele opere em nossa vida. Sem isso Ele fica nos observando querendo nos ajudar, mas impotente diante de nossa teimosia em resolver as coisas por nós mesmos. (livro A Poderosa Impotência de Deus).

O caminho da felicidade não é a via distante de nossa realidade, de nosso dia a dia. Ao contrário, ela passa bem no meio de nossa vida cotidiana e comum.

A felicidade não é fruto de esforço e desempenho. Ela não pode ser produzida. Felicidade é um presente, uma dádiva de Deus.

O caminho dessa felicidade não é longo nem cansativo. Basta descobrirmos conscientemente os dons que Deus, a cada dia, coloca em nosso caminho. Dom Cipriano nos ensina quais os dons que recebemos de Deus em nosso batismo (livro O Poder de Deus em suas Mãos), dons que nos foram concedidos para que o auxiliássemos a combater o mal em nossa vida, para nos despertar para nossa vida espiritual.

Os filósofos dizem que a felicidade é a expressão de uma vida realizada e cheia de sentido. Sou feliz quando vivo com todos os meus sentidos alertas, quando vivo plenamente o momento presente, em harmonia comigo mesmo, aceitando-me como sou – inclusive com minhas limitações e fraquezas. Portanto, felicidade não tem nada haver com riqueza e poder, ao contrário, é encontrada no usufruto das coisas mais simples de nossa existência, basta ter olhos e ouvidos para sentir a presença de Deus no momento presente.

Não posso prender a felicidade, assim como não posso reter a vida. Todo meu dia é cruzado pelas coisas que me acontecem, por ofensas, mal entendidos, conflitos.

Ser feliz não significa viver num mundo perfeito. Tanto a alegria como a dor fazem parte da vida, e ambas podem levar à felicidade. Feliz é o ser humano que, mesmo nas contrariedades e no sofrimento, se sabe abrigado nas mãos de Deus.

Mas pensamos ser mais sábios que Deus e queremos provar a nós mesmos que trabalhamos bem, que temos uma boa imagem diante dos outros e de nós mesmos.

Mas para isso teremos que buscar nossas próprias forças que se esgotam rapidamente e acabamos por ficar extenuados.

Ao invés desse esforço improdutivo é preciso buscar em nosso interior a fonte do Espírito Santo que faz com que o trabalho flua. Aí sim, poderemos trabalhar sem cansaço.

Lembro quando a Comunidade Emanuel alugou uma loja na Av. N.S. de Copacabana, no Rio de Janeiro. O objetivo era instalar um café. Para atrair os transeuntes, oferecendo um bom cafezinho e guloseimas das minas gerais, aproveitando para evangelizar. Oferecendo os livros e cd’s do Dom Cipriano.

Tínhamos uma máquina de café expresso e fui me preparar para servir o café expresso para a clientela. Fiz curso de barista e todos os dias servia várias xícaras de café. Alguns clientes queriam o café mais forte, outros mais fraco.

Outros ainda queriam com muito ou pouco creme. Eu não me aborrecia. Tinha me preparado para servir café e sabia que de meu serviço dependia a evangelização que se pretendia fazer. Eu estava atento e focado no que fazia sem me preocupar com mais nada.

Se eu ficasse preocupado com o futuro, se o cliente seria ou não evangelizado, não iria servi-lo bem e, com certeza, perderia a oportunidade para evangelizá-lo corretamente, mostrando como deve se comportar um servo do Senhor.

Portanto, quando as preocupações do futuro atrapalham seu dia concentre sua atenção no dia de hoje, pois é nele que você decide se vive ou não, se está presente ou não se você põe mãos à obra ou não, se você fica aberto ao que a vida tem a lhe oferecer ou não.

Dar conta do dia de hoje – esse é o verdadeiro desafio.

Posted in Grupo de Oração.

2 Comments

  1. Cara Beatriz, obrigado pelo estímulo. Os nomes dos livros são exatamente os que mencionei, ou seja, A PODEROSA IMPOTÊNCIA DE DEUS, onde D. Cipriano nos mostra que Deus é tão gentil que fica aguardando que nos abramos para Ele para poder agir. Só depois começa a operar em nossa vida. O segundo é O PODER DE DEUS EM SUAS MÃOS, onde o autor nos mostra todo um arsenal de armas que Deus nos fornece em nosso batismo para enfrentarmos e vencermos o mal que nos cerca.
    A Paz de Jesus.

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