Em Busca do Sentido da Vida – Parte 01

Baseado nos livros de VIKTOR FRANKL – “Em Busca do Sentido” Ed. Vozes 2016 e “O que não está escrito nos meus livros. Memórias.” Ed. É Realizações.

Viktor Frankl, em seu livro Em Busca de Sentido, narra a epopeia de sua vida no campo de concentração nazista Auschwitz e como conseguiu sobreviver diante de tanto sofrimento.

Sua explicação tornou-se base para sua filosofia: LOGOTERAPIA, cuja diferença com a psicanálise, segundo o autor, é a seguinte:

“Durante a psicanálise, o paciente precisa deitar-se num sofá e conta coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de se contar.
Na logoterapia o paciente pode ficar sentado normalmente, mas precisa ouvir certas coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de se ouvir.”

Em síntese, o médico induz ao descobrimento de qual o sentido da vida de cada paciente e como deve proceder para vivenciá-lo tornando sua vida mais saudável, mesmo diante dos maiores sofrimentos, como ele mesmo passou.

Segundo o autor, a razão para sua sobrevivência foi ter em mente um sentido para sua vida, mesmo nas condições mais precárias, vendo seus compatriotas morrerem simplesmente porque desistiam de viver, não viam razão para continuar a lutar pela vida.

Em um trecho de seu livro ele narra o seguinte episódio:

“Dois homens que em conversa haviam manifestado intenções de suicídio. Ambos alegaram “nada mais tinham a esperar da vida.”

Importava mostrar a ambos que a vida esperava algo deles, e algo na vida, no futuro estaria esperando por eles.

Para um deles havia um ser humano esperando, seu filho , ao qual idolatrava, “esperava” pelo pai no exterior.

Para o outro “esperava” não uma pessoa, mas um objeto , sua obra. O homem era cientista e publicara uma série de livros sobre determinado tema que não estava concluído e aguardava sua conclusão. E para essa obra esse homem era insubstituível, não podia ser trocado por outro.

Aquela unicidade e exclusividade que caracterizam cada pessoa humana e dão sentido à existência do indivíduo fazem-se valer tanto em relação a uma obra ou uma conquista criativa, como também em relação a outra pessoa e ao amor da mesma. O fato de cada indivíduo não poder ser substituído nem representado por outro é, no entanto, aquilo que, levado ao nível da consciência, ilumina em toda a sua grandeza a responsabilidade do ser humano por sua vida e pela continuidade da vida. A pessoa sabe do “porquê” de sua existência – e por isso também conseguirá suportar quase todo “como”. Por isso repetia:

“Experimentamos nossa vida como valiosa quando a ela nos dedicamos de forma proveitosa.”

Nós vivemos uma vida tumultuada, um sem número de tribulações, frustrações, problemas financeiros, doenças graves, que subitamente chegam a um nível simplesmente insuportável. Acreditamos que não poderemos mais suportar o sofrimento e entregamos os pontos. Abandonamos o desejo de viver, de ultrapassar as dificuldades.

É sobre isso que Viktor Frankl fala. É essa falta de sentido em nossa vida que nos leva ao desespero. Nada mais importa. Não somos ninguém. Não nos enxergamos no espelho de nossa casa pela manhã. Somos verdadeiros fantasmas perambulando pela vida jogados de um lado para outro, sem vontades, nem desejos, fazendo o que os outros querem que façamos, pois não temos mais vontades.

Depois de passar por grandes traumas, como a perda inesperada de um ente querido, a perda de importância na sociedade causada pelo desemprego, pela falta de dinheiro, pela ação destrutiva de competidores, a pessoa não consegue mais viver. Ou por outra, a vida transforma-se em verdadeiro inferno. Fica-se pensando permanentemente no ente querido que partiu, no emprego perdido que lhe emprestava relevo social, na falta de dinheiro que lhe proporcionava confortos e prazeres que não são mais desfrutados. Enfim, fica-se pensando no passado, que o impede de viver o presente, além de impedi-lo de enxergar algo no futuro.

Mas nós, católicos, que cremos na ressurreição de Cristo Jesus, não precisamos temer esse acúmulo de frustrações pois sabemos quem nós somos, filhos amados de Deus, sabemos o que nos aguarda o futuro, uma outra vida depois da morte, e sabemos o por quê estamos aqui, esperamos a nova vinda de Jesus, quando seremos elevados, com Ele, para o reino dos céus.

 

Posted in Grupo de Oração.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *