ABENÇOE E NÃO AMALDIÇOE

A MALDIÇÃO LEVA À ESCRAVIDÃO PARA NÓS E PARA OS OUTROS. A BÊNÇÃO LEVA À VIDA!
por Pe. George Kosicki, CSB

A minha caminhada diária é interrompida de várias formas: encontros com pessoas, recordações e pensamentos que me vêm à mente, acontecimentos de cada momento, que são algumas vezes agradáveis e outra vezes não tanto. Em cada interferência, eu tenho uma escolha. Posso responder com uma condição ou com uma bênção.

Para mim “amaldiçoar” significa reagir ao acontecimento com raiva injusta, julgamento, irritação, condenação, hipocrisia, defesa de meus direitos, mentira, acusação, orgulho, ressentimento, ciúme, amargura, pensamentos negativos; numa palavra, pecado. Todo este tipo de maldição leva à escravidão para conosco e para com os outros. Significa caminhar nas trevas. Amaldiçoar é prender-nos à mesma maldição que estendemos aos outros. Quando eu julgo, já estou julgado. Amaldiçoar é prender os outros, sem deixá-los livres para agir. Considere o efeito de crianças amaldiçoando seus pais e de pessoas amaldiçoando seus padres ou empregados ou patrões. A maldição amarra todas as pessoas envolvidas em ódio, ciúme, ressentimentos e coisas parecidas. Considere o efeito ainda maior dos que estão em autoridade, amaldiçoando os que lhe são submissos. A liberdade espiritual é destruída. Não é de se admirar que haja tantas pessoas aradas, espiritual e psicologicamente, presas na escuridão do túmulo do ódio e da autopiedade, e por isso incapazes de funcionar em sua missão!

ABENÇOAR É LIBERTAR
Por outro lado, “abençoar” é libertar os outros e a si mesmo. Abençoar é amar, perdoar, agradecer, louvar, curar, submeter-se, ser paciente, ser gentil, ser compassivo, interceder. Abençoar é dar vida. É caminhar no Espírito; é caminhar na luz; é dar libertação espiritual. A misericórdia de Deus pode fluir através de mim. Torno-me um canal de misericórdia quando abençoo os que estão em torno de mim.
Em cada ocorrência de vida tenho uma escolha à minha frente. Tenho a escolha entre amaldiçoar ou abençoar. Posso escolher atar ou desatar e libertar!

INTERCESSÃO
Cada ocorrência de acontecimento pode ser considerada como uma oportunidade. Mas, na Fé, sabemos que o Senhor, em sua providência, está trabalhando em todas as coisas. Não existe o que se chama de mero acaso. Muitas vezes o Senhor me coloca neste momento particular para que eu possa agir como uma forma especial de bênção, e mesmo de intercessão.

Intercessão é a resposta de oração pelos outros. É uma resposta sempre a meu dispor. Posso sempre interceder, sempre obter a bênção de Deus, louvando-o, dando-lhe graças por todas as circunstâncias. Posso interceder em cada acontecimento.

Quando experimento o peso da preocupação por outra pessoa através de meus pensamentos ou de circunstâncias reais, posso considerar como se fosse a pessoa batendo na porta do meu coração, pedindo ajuda. Estas situações me suprem com todas as intenções para orar. São como sinos chamando à oração nesta hora e neste lugar. De certa forma isto simplifica meu dever de orar. Posso sempre fazê-lo pelos acontecimentos do momento presente. Não preciso tomar todas as necessidades do mundo inteiro e tentar fazer o papel de Atlas. Este papel é do Senhor Jesus. Ele quer que eu aplique seu poder em cada situação particular intercedendo.

O Senhor muitas vezes não age para mudar uma situação sem que o peçamos. Em cada circunstância, Ele quer intercessores para pedirem sua bênção e para que Ele possa abençoar. É por isso que Ele me colocou aqui! Se eu não responder, Ele vai procurar outra pessoa para assumir esta responsabilidade no Corpo de Cristo.

BÊNÇÃO E MALDIÇÃO NO NOVO TESTAMENTO
O Sermão da montanha (Mt 5,7) e as passagens paralelas em Lc 6,27-38 e em Colossences 3,12-17, descrevem os escritos do Novo Testamento. Podem ser resumidos em “Abençoe e não amaldiçoe” (Rm 12,14). Abençoe! Ame seus inimigos (Mt 5,44). Ore por seus perseguidores e muito mais por seus amigos! Perdoe e dê (Lc 6,37-38). Deixe de lado a autopiedade (Mt 6,25-33). Seja agradecido (Cl 3,15-17). Alegre-se sempre (1Ts 5,16).

A maldição é condenada e é descrita em termos de ira injusta (Mt 5,22-24), julgamento, condenação (Mt 7,1-2) e abuso da língua (Tg 3). Tiago é muito direto a respeito do uso da língua maldizente: “A língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus: de uma só boca procedem a bênção e a maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (Tg 3,8-11).

Paulo vai mais adiante e quer que todo pensamento seja uma bênção e não uma maldição: “Levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Cor 10,5).

CONVERTENDO A MALDIÇÃO EM BÊNÇÃO
Estamos todos sob a maldição geral do pecado. O pecado do homem está todo em volta de nós. Está preso a nós (Hb 12,1); é como a atmosfera na qual nós vivemos e respiramos, afetando tudo em nossas vidas. Mas, graças a Deus, temos a vitória sobre a maldição do pecado por causa de Jesus.

Jesus inverteu a maldição, tornando-se Ele próprio maldição, morrendo na árvore da cruz (Gl 3,13). Por causa da vitória de Jesus na cruz, agora eu posso aplicar o pleno poder da cruz e inverter a maldição. Posso explicar este poder em todas as situações, invocando o Sangue de Jesus (Hb 9,22; Mt 26,28).

Um modo prático de abençoar cada situação, de inverter a maldição é implorar a misericórdia de Deus. O grande desejo de Deus é usar de misericórdia para com todos (Rm 11,32). Assim, nosso pedido de misericórdia dá a Deus a oportunidade de derramá-la sobre todos nós, pecadores. Esta palavra de misericórdia foi enfatizada pela Encíclica “Rico em Misericórdia: sobre a misericórdia de Deus”. O Papa João Paulo II pede que “Tudo o que eu disse no presente no documento sobre a misericórdia deve ser transformado continuamente em oração ardente: num grito que implore a misericórdia de acordo com as necessidades do homem no mundo moderno – (seção 15; ênfase no texto).

Aprendi outra maneira de inverter a maldição quando fazia os Exercícios Inacianos de trinta dias. No fim de cada período de oração é sugerido um diálogo com Nosso Senhor e Nossa Mãe. Repetidamente, através dos dias, uma palavra suave surgiu no meu coração. Experimentei Maria me ensinando, como uma mãe, uma maneira de vencer minha maldição. Encorajou-me a pegar a mão do Senhor e a caminhar na luz como um filho, em simples Fé. Ao mesmo tempo, uma passagem da Escritura se manteve acima de tudo em minha mente: “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5,16-18).

Esta é uma palavra que tem continuado a crescer no meu coração através dos anos e que é realmente eficaz. Sei que quando não sou uma testemunha alegre do Evangelho e de fato estou caminhando como se“alguma coisa mortal estivesse me oprimido” (Sl 41), é porque não estou dando graças constantes.

Dar graças constantemente é agradecer a Deus em todas as circunstâncias, sabendo que Ele é fiel e está operando, e tirará um bem, mesmo na situação má (Rm 8,28). Agradecer é abençoar. Esta espécie de vida de ação graças é a vivência da Eucaristia; é uma vida de bênção e de alegria sempre. E esta é a vontade de Deus para nós, em Cristo Jesus.

Pe. George Kosick – é um dos maiores divulgadores da Devoção da Divina Misericórdia no mundo. Autor de vários livros sendo o mais divulgado “Venha para a Misericórdia”.

Posted in Vida e Conhecimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *