A SAMARITANA – JO 4, 5ss – Parte 03

Bispo de Petrópolis, Dom Gregório OSB

O cristianismo veio revolucionar esse preconceito sobre as mulheres. Jesus sempre se fez acompanhar por discípulas, sem distinguir funções ou atividades sociais, mesmo as que assumiam uma vida mais livre, como Maria de Magdala, uma prostituta que acompanhou Maria nos momentos mais dramáticos da mãe de Jesus. Será que hoje alguma das mulheres aqui presentes não se importariam de serem vistas em companhia de uma mulher de programa?

Os preconceitos foram eliminados por Jesus apesar de sua Igreja apresentar a figura feminina como a responsável pela introdução do pecado no mundo. A serpente primeiro seduziu Eva, que por sua vez seduziu Adão, e ele comeu do fruto proibido.

Daí a interpretação vigente por muito tempo na Igreja, que a figura feminina deveria ser submissa ao marido.
Não esqueçamos que a Bíblia foi escrita por homens no contexto de uma cultura patriarcal, mas em Genesis vê-se que Deus não tinha essa intenção, uma vez que não criou a mulher da cabeça do homem, caso em que ela seria superior, nem de seus pés, caso em que seria inferior, mas de sua costela, de seu lado. Isso indica que Deus desejava mostrar que a mulher era igual ao homem. Ao mesmo tempo, não deixou dúvidas que todo homem nasce do corpo de uma mulher.

Os evangelhos registram vários encontros de Jesus com mulheres, entre eles o mais intrigante é seu diálogo com a samaritana à beira do poço.

A cidade da Samaria onde ocorreu o encontro era SICAR que em hebreu significa sedento.

Os samaritanos não eram aceitos pelos israelitas pelos seguintes motivos: Eram meios judeus e meios pagãos.

Originaram-se durante a derrota de Jerusalém por Nabucodonosor, rei da Babilônia. Com a destruição do templo o rei resolveu enviar para Babilônia a elite cultural de Israel, professores, artistas, médicos e, em troca, enviou para Israel os marginalizados de Babilônia, os doentes, aleijados, os sem valia. Durante o tempo em que durou o exílio na Babilônia, os israelitas que permaneceram em Israel casaram-se com os pagãos da Babilônia gerando uma raça mista. Quando os israelitas foram libertos e voltaram para Israel e resolveram reconstruir o templo tiveram a reação dos pagãos. Durante o dia os israelitas levantavam os muros que à noite eram derrubados pelos pagãos. Daí gerou-se o ódio entre as duas tribos. Os israelitas não falavam com os samaritanos. Mas Jesus rompeu mais essa barreira.

A descrição de João nessa passagem é detalhada citando até a hora em que a mulher tinha ido ao poço. Era meio dia, hora em que o sol estava à pino e nenhuma mulher ia ao poço buscar água. Isso indica que a mulher não era bem vista pelas demais de seu povo, preferia ir buscar água sem a companhia de ninguém. Além disso, essa é a hora em que não se formam sombras. A mulher foi obrigada a se apresentar sem sombras, ou seja, sem se esconder. Da mesma forma como Jesus, que se revelou à mulher.

Homem não se dirigia a nenhuma mulher em público muito menos um israelita a uma samaritana. Mas Jesus se dirige à mulher rompendo mais esse preconceito.

Um outro detalhe, João afirma que os discípulos haviam ido à cidade. Por que? Porque se estivessem presentes não deixariam o Mestre falar com tal mulher.

Devido a tudo isso ela se espanta e indaga como Jesus se dirigia a ela apesar de todos esses obstáculos.
Jesus se revela por inteiro, sem sombras, revelando sua divindade ao se referir a ele mesmo como a fonte de água viva. Foi a primeira pessoa a quem ele se revelou como o Messias.

Ela se espanta mais uma vez e indaga como seria possível que ele tirasse água de poço tão profundo sem vasilha. Profundo indica seu interior tumultuado, cheio de vãos escuros que ela não queria tocar. Mas diante da resposta de Jesus sobre “quem beber dessa água não terá sede” apresadamente se candidata a beber dessa fonte dizendo: “Senhor, dá-me dessa água, para eu já não ter sêde”.

Jesus pede, então, para ir buscar seu marido e voltar mas ela responde que não tem marido. Nesse instante Jesus lhe revela que já teve 5 e o que está com ela agora não é seu marido.

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One Comment

  1. Gostei muito desse texto. Quantas mulheres no mundo se sentem diminuidas. Mas o nosso Senhor Jesus não trata nenhum criatura com desprezo, somente com Amor infinito. Principalmente a mulher ele a trata com sutileza que somente Ele pode fazer.

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