A SAMARITANA – JO 4, 5ss – Parte 02

Bispo de Petrópolis, Dom Gregório OSB

No Novo Testamento o evangelista Mateus aponta na árvore genealógica de Jesus quatro mulheres, além de Maria, consideradas heroínas:
TAMAR, que disfarçou-se em prostituta para gerar um filho com seu sogro do mesmo sangue de seu falecido marido, escapando da sina de mulher marginalizada por não ter gerado filhos do mesmo sangue da família do marido;
RAAB, a prostituta que ajuda os guerreiros de Israel e conquistarem Jericó;
RUTE bisavó de Davi, moabita, ou seja, pagã ao olhos dos hebreus, que preferiu acompanhar sua sogra Noêmi, que havia perdido seus dois filhos e ficara sem marido, ao invés de voltar para sua casa, como era normal. Em uma cultura patriarcal a viúva ficava sem meios de sobreviver e se não fosse Rute a acompanhar trabalhando nos campos de Booz paa sustentá-la, fatalmente ela morreria. Mais uma vez a mulher usa de sua beleza para conquistar o amor de Booz, que a tomou por esposa, apesar dela ser moabita, que não era considerada pelos israelitas.

Finalmente Mateus cita a “mulher de Urias”, o general de Davi, cujo nome não cita, mas sabemos se tratar de BETSABÉIA, mulher de grande beleza. Pela leitura da Bíblia parece que ela foi seduzida por Davi, mas um olhar mais acurado mostra que tudo foi articulado por ela de tal forma que Davi a pudesse deslumbrar-se ao vê-la nua tomando banho em sua casa que ficava embaixo do palácio real. Ela sabia que o rei costumava passear pelo terraço depois do almoço e foi tomar banho exatamente a mesma hora, sabendo que seu terraço ficava inteiramente devassado pelo terraço do rei.

Todas essas mulheres, foram consideradas como heroínas pela Bíblia, apesar do uso que faziam de suas armas mais fortes: sedução, beleza e o corpo.

A esperteza das mulheres sempre foi reconhecida pela história como me lembrou um amigo que contou-me o seguinte:

Um poderoso general ia se aposentar e tinha que indicar o substituto. Resolveu testar seu exército e escolheu entre os soldados 500 homens e 500 mulheres levando-os para a floresta para enfrentar vários perigos. Todos se saíram bem. Fez a última tentativa. Lançaria uma corda do helicoptero e voaria velozmente por cima da floresta. Quem largasse a corda morreria. Portanto, só deveriam se candidatar quem realmente queria correr o risco de morte.

Lançou acorda e correram 15 homens e 1 mulher. O helicóptero passou a voar indo e voltando por cima da floresta a grande altura quando o piloto avisou que a corda estava muito tensionada e estava prestes a arrebentar e todos os que estavam agarrados iriam morrer.

“O general avisou aos homens para que era preciso que pelo menos 1 deles soltasse a corda pois a capacidade de resistência da corda era apenas de 15 pessoas.

Cada um começou a falar sobre as razões que o levavam a não saltar a corda, cada motivo mais forte do que o antecedente. Até que chegou a vez da mulher, a última na corda que disse: gen. o sr. sabe que na história a mulher sempre teve um papel relevante por gerar a descendência da humanidade; o sr. sabe que atrás de todo homem existe uma mulher que o ajuda a brilhar mais. Por isso tudo, em nome dos homens que estão agarrados nesta corda e que têm fortes motivos para viver, eu me ofereço para largar a corda salvando assim todos os meus companheiros. Antes de realizar seu ato todos os homens bateram palmas.”

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One Comment

  1. Texto maravilhoso!
    Que muitos o leiam em duas famílias, pastorais, encontros na Igreja p refletir sobre a necessidade de combater tantos preconceitos.

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