A Filosofia Cristã – Parte 07

Existem três figuras de amor: AMOR APEGO quando nos sentimos “ligados” a alguém a ponto de não podermos viver sem esse alguém.

Os cristãos se aproximam dos estoicos ao considerar esse tipo de amor como o mais perigoso e o menos sábio, pois não suporta a morte, não tolera rupturas, além de ser possessivo e ciumento, motivo pelo qual o amor-apego nos prepara os piores sofrimentos que existem. Por isso os monges vivem em certa solidão.

A palavra “monge” vem do grego “monos” que significa “solitário”. E é na solidão que a sabedoria pode desabrochar, sem se deixar levar pelos tormentos relativos a todas as formas de apego.

No extremo oposto o AMOR COMPAIXÃO nos leva a cuidar até daqueles que não conhecemos quando estão em desgraça.

Finalmente, temos o AMOR EM DEUS, fonte última da salvação. É apenas esse amor que vai se revelar mais forte do que a morte.

Não se deve nutrir o amor-apego devido a ruptura ocorrida na morte.

Mas quem disse que o homem é mortal? Essa é a grande inovação da interrogação cristã. Não podemos nos apegar ao passageiro, mas por que não nos prenderíamos ao que não passa? Se meu amor fosse dirigido à eternidade no outro, por que não deveria ele me prender?

Os humanos são imortais, desde que respeitem os mandamentos de Deus, desde que vivam e amem “EM DEUS”.

Como diz S. Agostinho: “Pois só não perde nenhum de seus amigos aquele que só ama alguém Naquele que não se pode perder nunca. E quem é Ele senão nosso Deus?”

Em outras palavras, ninguém perde os seres singulares que ama, a não ser aquele que deixa de amá-los EM DEUS.
É por AMOR, não apenas a Deus, não apenas ao próximo, mas também aos achegados , que se ganha a SALVAÇÃO, ou seja, AMOR LIGADO A ELE E DIRIGIDO SOBRE O QUE, NA PESSOA AMADA, PERMANECE.

É POR E NO AMOR EM DEUS que o Cristo se revela, fazendo “morrer nossa morte” e “tornando imortal a carne mortal”. Ele é o único que nos promete que nossa vida de amor não se acabará com a morte terrestre.

Com sua RESSURREIÇÃO Cristo associa três temas fundamentais para a doutrina da bem-aventurança:
A IMORTALIDADE PESSOAL DA ALMA
A RESSURREIÇÃO DO CORPO
A SALVAÇÃO PELO AMOR, desde que seja EM DEUS

Essa é a BOA NOVA que a mensagem de Cristo veio trazer.

A ressurreição é o alfa e o ômega da soteriologia (soterios = salvação) cristã e é encontrada não apenas ao término da vida terrestre, mas também em seu começo, quando somos batizados.

O batismo simboliza a primeira morte, quando os primeiros cristão eram batizados pela imersão no rio. O momento que passava debaixo d’água, sem poder respirar, simbolizava a morte, quando a pessoa ressurgia na tona, revivia, era uma nova criatura.

É fundamental, também, que se note que a ressurreição de Cristo foi de CORPO E ALMA, conforme se verifica no momento em que Jesus reaparece, depois de sua morte, diante dos discípulos e lhes pede para que o toquem e, como prova de sua “materialidade”, pede um pouco de alimento que come diante deles. (vide Rom.8,11).

A religião cristã, portanto, não se dedica a um combate ao corpo, à carne, à sensualidade, senão como teria aceitado que o divino se tornasse carne na pessoa de Cristo? (vide Catecismo da Igreja Católica §1.015-1.017).

A resposta cristã é a mais “eficaz” de todas as filosofias que tentaram explicar o mundo e as pessoas que vivem nesse mundo. É a única que permite vencer o medo da morte, e não apenas o medo, mas a própria morte.

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