A Filosofia Cristã – Parte 03

[Baseado em escritos do Frei Raniero Cantalamessa]

O CRISTIANISMO DEU AO MUNDO UMA NOVA DOUTRINA DA SALVAÇÃO, TÃO EFICIENTE QUE VAI DOMINAR O MUNDO OCIDENTAL DURANTE QUASE 15 SÉCULOS, DESBANCANDO A FILOSOFIA.

1 – a doutrina cristã da salvação vai competir com a filosofia grega alterando o vocabulário filosófico dando-lhe novas significações e propondo uma resposta inédita para a questão de nosso relacionamento com a morte e com o tempo.

2 – Embora não filosófica, a doutrina cristã da salvação deixa lugar para o exercício da RAZÃO. Ao lado da FÉ a inteligência racional vai encontrar modo de se exercer, pelo menos em duas direções:

Para compreender os textos evangélicos, para meditar e interpretar a mensagem de Cristo;

Para conhecer e explicar a natureza que, enquanto obra de Deus, deve trazer em si algo como a marca de seu criador;

3 –Existe conteúdo no cristianismo, especialmente no plano moral, que vai adquirir tal autonomia que será retomado pela filosofia moderna e até por ateus.

A ideia do valor moral de um ser humano não depender de seus dons ou de seus talentos, mas do uso que faz deles, de sua liberdade e não de sua natureza;

Apresentou respostas para as nossas interrogações sobre a finitude que não têm equivalência entre os gregos;

O cristianismo vai elaborar uma moral totalmente inédita e uma doutrina da salvação fundada no amor.

Para escândalos dos gregos estoicos, o divino não é absolutamente idêntico à ordem harmoniosa do mundo, mas é encarnado num ser excepcional, o CRISTO!

Passou-se de uma doutrina da salvação anônima e cega à promessa de que vamos ser salvos, não apenas por uma pessoa – CRISTO – mas também enquanto pessoa.

Apoiando-se na definição da pessoa humana e num pensamento inédito do AMOR, o Cristianismo vai deixar marcas incomparáveis na história das ideias. A filosofia dos direitos do homem, por exemplo, sem a base doutrinaria do cristianismo, jamais teria vindo à luz.

No Evangelho de João nos é apresentado o “VERBO ENCARNADO”, o divino que não mais designa a estrutura racional e harmoniosa do cosmos, como acreditavam os antigos, mas um simples ser humano.

Esse desvio terá, forçosamente, consequências consideráveis para a doutrina da salvação, para a questão de nosso relacionamento com a eternidade, e até mesmo com a imortalidade.

Não é apenas o divino que muda completamente ao se tornar um ser pessoal, mas também o ver, ou o modo de contemplá-lo, de compreendê-lo e aproximar-se dele. A partir daí não será mais a “RAZÃO” a faculdade teórica por excelência, que explica o mundo, mas a “FÉ”.

A FÉ vai ocupar o lugar da RAZÃO – o acesso à verdade não passa mais pelo exercício de uma razão humana que conseguia captar a ordem racional, “lógica”, do Todo cósmico.

O que vai permitir a aproximação do divino, seu conhecimento e contemplação não é mais a inteligência, mas a CONFIANÇA dada à palavra de um Homem-Deus, Cristo, filho de Deus, o LOGOS ENCARNADO.

Acreditarão nele porque Ele é digno de FÉ. Não se trata mais de pensar por si mesmo, mas de ter confiança num Outro.

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