A Filosofia Cristã – Parte 01

[Baseado em escritos do Frei Raniero Cantalamessa]

Aprender a viver, aprender a não mais temer em vão as diferentes faces da morte ou, simplesmente, a superar a banalidade da vida cotidiana, o tédio, o tempo que passa, já era o principal objetivo das escolas da Antiguidade Grega.

O ser humano, é mortal, é um ser finito, limitado no tempo e no espaço. É o único animal que tem consciência de seus limites.
Ele sabe que vai morrer e que seus próximos, aqueles a quem ama, também.

As religiões se esforçam de diferentes formas para nos prometer a vida eterna, para nos garantir que um dia reencontraremos aqueles que amamos, dos quais a existência terrestre, inelutavelmente, vai nos separar!.

O ser humano não pode evitar interrogar-se sobre essa situação que, a princípio, é inquietante. Por isso se volta de imediato para as religiões que lhe prometem a “salvação”

No Evangelho de S. João, o próprio Jesus vive a experiência da morte de um amigo querido, Lázaro. Como qualquer ser humano, ele chora. Ele simplesmente vive a experiência do dilaceramento ligado à separação. Porém, diferentemente de nós, simples mortais, ele tem o poder de ressuscitar o amigo. Ele faz isso para mostrar que “o amor é mais forte do que a morte”.

No fundo, essa mensagem constitui o essencial da doutrina cristã da salvação: a morte, para aqueles que amam, para aqueles que têm confiança na Palavra de Cristo, é apenas uma aparência, uma passagem. Pelo amor e pela fé, podemos alcançar a imortalidade.

Já que para o homem, que tem consciência de sua finitude, o tempo lhe é contado é preciso que reflita bem sobre o que fazer de sua curta vida.

Para viver livremente, com alegria, generosidade e amor, precisamos antes de tudo, vencer o medo, ou melhor dizendo, “os” medos, tão diversas são as manifestações do Irreversível.

As religiões superam esse medo pela fé. Se a pessoa acredita em Deus, Ele o salvará. Para isso, exige antes de tudo a virtude da humildade que se opõe à arrogância e à vaidade da filosofia.

Os filósofos Gregos atribuíam ao PASSADO e ao FUTURO os dois males que pesam sobre a vida humana, dois centros de todas as angústias que vêm estragar a única DIMENSÃO DA EXISTÊNCIA QUE VALE A PENA SER VIVIDA, SIMPLESMENTE PORQUE É A ÚNICA REAL – O INSTANTE PRESENTE.

De tanto lamentar o passado ou ter esperança no futuro, acabamos por perder a única vida que vale ser vivida, a que depende do AQUI E AGORA, e que não sabemos amar como ela certamente merece.

A memória dos instantes de felicidade pode também nos puxar insidiosamente para fora do real, ela os transforma em “paraísos perdidos”, que nos atraem insensivelmente para o passado e nos impedem, assim, de aproveitar o presente.

Mas a religião nos afirma que NÃO PRECISAMOS MAIS TER MEDO, já que nossas principais expectativas serão satisfeitas e que nos é possível viver o presente tal como ele é, a espera de um porvir melhor, pois existe um SER infinito e bom que nos ama acima de tudo e que, por ELE, seremos salvos da solidão e da separação dos entes queridos que nos esperarão na vida eterna.

A única coisa necessária para isso É CRER, TER FÉ QUE PELA GRAÇA DE DEUS ATINGIREMOS A VIDA ETERNA.

A atitude do religioso se resume em 2 palavras: CONFIANÇA e HUMILDADE.

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