A arte do relacionamento entre os homens e Deus – Parte 05

Afirma-se que o crescimento da ideologia materialista teria reforçado a perda do relacionamento, pois toda ênfase exagerada no lado material da vida alimenta o egocentrismo, até que degenera na completa perda de relacionamento.

Como Teresa e eu somos originários de famílias classe média, média, onde não faltava dinheiro, mas também não sobrava, temos uma visão muito clara sobre bens materiais e o esforço necessário para obtê-los.
Damos ao dinheiro seu devido valor, mas não nos vendemos a ele, não fazemos dele nosso “deus”.

Gostamos de coisas boas, mas gostamos também de usufruir a vida com coisas prosaicas, simples, sabendo não ser preciso necessariamente muito dinheiro para aproveitar a vida.

Uma ida a praia em dia de verão, um passeio de mãos dadas conversando frivolidades, uma tarde de domingo lendo um livro ou admirando o por do sol é o bastante para nos encher de satisfação.

Fernando Pessoa, poeta português, exemplificou o que entendia por simplicidade:

“Nada mais do que…
um pouco de sol.
uma pequena lufada de ar
algumas árvores que
emolduram à distância
o desejo de ser feliz.”

Mais tarde, quando comecei a subir na vida profissionalmente, essa experiência foi de extrema valia, pois nunca coloquei os bens materiais como meta ou objetivo de vida.

Minha vida profissional não foi pautada pela busca ansiosa de riqueza material, mas pelo prazer de realizar bem aquilo que fazia, pelo prazer de ver reconhecido o esforço desempenhado, sem esquecer de dar crédito aos companheiros que compartilhavam desse esforço.

Teresa, por seu lado, também exercitou essas virtudes sem se deixar apegar pelo desejo de possuir cada vez mais.

Seguíamos, sem conhecer, o conselho de Henry D. Thoreau (poeta e ensaísta norte-americano [1817-1862]):

“O homem é tão mais rico quanto mais coisas ele puder deixar para trás”.

Isso nos dá independência. Somos capazes de largar um cargo bem remunerado caso estejamos em desacordo com o “andar da carruagem” sem maiores traumas.

Claro que para isso é preciso treino, ou seja, é preciso ter experimentado largar tudo e começar do zero, como aconteceu comigo e com Teresa.

É interessante observar que a dificuldade de relacionamento ocorre não só entre os seres humanos, como também em relação a natureza, com a criação de Deus.

No mundo moderno, com o ser humano comprimindo-se cada vez mais nas grandes cidades, aumenta a tendência a se perder a sensibilidade em relação a natureza.

Não percebemos mais que, quem sente a natureza e lida com ela de maneira atenciosa, aprende também a lidar atenciosamente com as pessoas em seu relacionamento profissional e doméstico.

Morei no Japão algum tempo e fiquei admirado quando soube que os policiais aprendiam a arte do arranjo floral – ikebana.

Fui informado que essa arte permitia desenvolver nos policiais maior sensibilidade no trato com a natureza e, por extensão. Com as pessoas que encontrariam em seu dia a dia.

A arte do ikebana, por incrível que pareça, exige que a pessoa esteja inteiramente dedicada ao arranjo floral.

Deve deixar de lado as preocupações, a amargura, raiva e outros sentimentos negativos.

É preciso abandonar-se, deixar que a mente flutue despreocupadamente, em paz integrado com o mundo que o cerca de forma a alcançar o melhor e mais harmônico arranjo das plantas.

Foi provado que as pessoas que iniciam esse trabalho preocupadas, amarguradas, raivosas, simplesmente não conseguem realizar um arranjo harmônico.
É preciso se desvencilhar das preocupações dedicando-se inteiramente à tarefa que tem pela frente.

Ora, se um policial é capaz de se dedicar a fazer um arranjo floral com paciência e tenacidade, inteiramente focado no momento presente, tenderá a ter o mesmo comportamento, e até melhor, quanto estiver diante de problemas na rua, com pessoas estressadas e em conflitos.

Quem não consegue se relacionar com a natureza, com as coisas, não consegue se relacionar consigo mesmo e, via de consequência, com os outros.

Isso é comum nos jovens adolescentes, incapazes de se relacionar sensatamente com o sexo oposto.
Buscam imediatamente a relação sexual, único comportamento no qual esperam sair da prisão do próprio ego e mostrar domínio ou submissão ao parceiro.

Como não se conhecem, tem medo de mostrar-se ao outro com receio que descubram o seu vazio interior.

Pior são aqueles que não se abrem a Deus com medo que ele possa decepcioná-los. Transferem a Deus a desconfiança que sentem, por exemplo, em relação ao pai alcoólatra ou a mãe agressiva, e imaginam que em Deus podem confiar tão pouco quanto nos pais.

Na verdade, se não experimento a mim mesmo, não posso experimentar Deus.

O relacionamento com Deus não difere de qualquer outro relacionamento, somos permanentemente desafiados na totalidade de nós mesmos, tanto em nossos pontos fortes, quanto em nossas fraquezas.

Para que o relacionamento se realize, somos obrigados a nos abrir, nos revelar por inteiro, nos entregar em confiança ao outro.

Só assim cresce um relacionamento, caso contrário estaríamos presentes apenas pela metade.

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Aprofunde seu conhecimento sobre esse assunto lendo os livros de Dom Cipriano “Cura Profunda, Um Manual” e “O Poder de Deus em suas Mãos”.

No primeiro o autor explora detalhadamente os motivos pelos quais agimos da forma como agimos em nossa vida devido a falta de perdão, aos votos secretos realizados em nossa infância ou adolescência, aos pecados de nossos antepassados e muitos outros motivos relacionados com problemas que muitas vezes nem conhecemos, mas que geram efeitos em nosso comportamento atual.

No segundo nos informa que em nosso batismo recebemos de deus armas poderosas para enfrentarmos o maligno em nossa vida. Se não as utilizamos é porque não a conhecemos e, como resultado, ficamos vulneráveis.

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