A arte do relacionamento entre os homens e Deus – Parte 04

No texto anterior identificamos os passos necessários para usufruir de um relacionamento harmonioso – admiração, respeito, gratidão, perdão.

Agora abordaremos com mais detalhes o sentimento de admiração pelo parceiro.

Comentei que Teresa elogiava minhas conquistas profissionais por mais que eu procurasse minimizá-las, até que em dado momento eu passei a desejar satisfazer suas expectativas a meu respeito.

Certa vez, depois de ter conseguido uma vitoria na argumentação junto a autoridades governamentais relacionada a uma demanda do setor que eu representava, apressei-me a dar conta do resultado de meu trabalho para meus associados.

Como nenhum deles havia testemunhado minha performance profissional, pois o único a viajar para brasília era eu, enfatizei o papel que tinha representado e o sucesso alcançado.

Era a forma de demonstrar o resultado de meu trabalho e justificar meu emprego.

Estava no telefone relatando o fato e, em dado momento, afirmei:
– “Depois de muita argumentação e dados estatísticos consegui demover o funcionário da ideia errada que tinha, evitando assim que se impusesse restrições a nosso setor. Enfim, sem falsa modéstia, fui realmente brilhante!”

Nesse exato instante Teresa entrou em meu escritório, pois eu trabalhava em casa e, quando acabei o telefonema, exclamou:
-“Entao é assim, Mauro, agora você é brilhante?”

Na mesma hora respondi:
– “Claro, agora eu me enxergo com seus olhos”.

Essa abertura, esse reconhecimento íntimo, carinhoso com o companheiro ou companheira, tornam a vida mais doce, mais agradável.

No relacionamento temos que ser verdadeiros, elogiar quando deve elogiar e criticar se preciso.

Quem ouve também deve estar preparado para receber não só os elogios como, principalmente, as críticas, caso contrário passamos a confundir relacionamento com contato.

Existem aqueles que se consideram sociáveis, afáveis, com muita disposição de fazer contato, mas jamais aprofundam o relacionamento.

Não desejam mostrar sua face verdadeira, vivem uma ilusão, tentando satisfazer a ideia que as outras pessoas tem sobre eles.

Trata-se de uma tentativa de disfarçar uma profunda incapacidade de relacionamento.

Percebem, de repente, que têm muitos contatos, mas nenhum relacionamento verdadeiro.

Isso pode ocorrer por vários fatores, entre os quais o medo do compromisso assume papel preponderante.

As pessoas têm medo de se aproximar de outra com receio de se decepcionar, de se magoar.

O medo da ofensa o leva a fechar-se em si mesmo.

Em geral, esse medo tem fundamento em experiências negativas da infância ou adolescência, quando a confiança da criança foi traída pelos pais, por amigos ou na escola.

Dom Cipriano tem um livro elucidativo sobre esse assunto – votos secretos – que explica como se pode reverter esse quadro.

Se a criança vivenciou discussões constantes entre seus pais, quando adulto, teme relacionar-se com alguém receando que desague na mesma problemática dos pais.

Convém ficar claro, porém, que não existe relacionamento sem ferimento.

Mas o importante é que o relacionamento pode crescer através do ser magoado, ou seja, o ferimento pode fazer com que eu me abra ao outro.

Se quiser conhecer realmente o outro tenho que abandonar a fachada, a máscara que procuro mostrar ao mundo, aquela que esconde meus pontos fracos.

Tenho que me mostrar exatamente como sou, com todas as minhas falhas e vulnerabilidades.

Para isso, contudo, precisamos ter exemplos, modelos de vida, em geral encontrados em nossos pais, nossos primeiros educadores.

Teresa e eu, graças a Deus, tivemos pais que se amaram .

Teresa perdeu o pai com menos de um ano de idade, mas passou a vida ouvindo elogios a ele por parte da mãe.

Eu perdi o pai com 15 anos, mas não me recordo, uma vez sequer, de ter visto uma discussão entre ele e minha mãe.

Sempre que tinha algum assunto a tratar fechavam-se no quarto e os filhos não participavam da conversa.

Isso nos deu uma boa referência para o sucesso de nosso relacionamento.

Talvez, por isso, nunca tivemos problemas em relação a finanças.

O dinheiro no matrimonio não era meu, nem dela, era nosso.

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Leia o livro “Perdão, o caminho da Felicidade“, onde se procura “visualizar” o perdão e compreenda como isso é importante, em nossa vida, nos faz sair de nosso egoísmo para entender que só quando enxergamos a vida com os olhos do outro contribuímos para a harmonia em nosso redor.

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2 Comments

  1. Ocultar a verdadeira face, satisfazer a ilusão dos outros; medo de entrar em contato com as próprias feridas e frustrações antigas; fica difícil enfrentar esta verdade de que: ” não existe relacionamento sem ferimento.” Dai também, o disfarce, a incapacidade de ser verdadeiro no relacionamento, e os “contatos” superficiais. Relacionamentos sinceros requer profundidade, transparência, confiança. Como aprofundar se a base esta ferida. Vai se criando uma bola de neve, infelizmente. Não dá para elogiar, sem amar. E só o amor pode curar; amor de Deus, injetado ou enxertado ao amor humano.

  2. Cara Vânia
    O processo de relacionamento é assim mesmo, a pessoa pode se sentir ferida ao ser ignorada, mas também pode encontrar apoio quando precisa. O importante, como você ressaltou, é ser verdadeiro. Não vale a penas “fingir” o que não é só para agradar ao outro. As pessoas gostam de você exatamente como é, ou não gostam. Ninguém é obrigado a gostar de todo mundo. O importante é você saber onde pisa e aceitar o que a vida nos oferece!
    Um ano feliz e alegre. Que as bênçãos de Deus sejam derramadas abundantemente sobre você e seus familiares.

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