A arte do relacionamento entre os homens e Deus – Parte 03

Um rabino afirmou certa vez que: “todo aquele que o aborrece, vence-o”.

O segredo para evitar essa verdadeira prisão a quem o ofendeu é o perdão.

Quem concede perdão não está oferecendo uma carta de alforria a quem o magoou. Cada um de nós é responsável por seus atos e vai prestar contas deles no final dos tempos.

Ao perdoarmos, porém, estamos entregando esse julgamento a Deus e não a nós mesmos.

O perdão é um ato de inteligência, de verdadeira libertação.

Quem deu uma lição de vida sobre esse assunto foi meu neto, Frederico, então com 10 anos de idade. Ele havia sido convidado para uma festa de aniversário na casa de um amigo para passar o dia nadando na piscina, jogando bola, brincando. À tarde, depois dos folguedos, com banho tomado e roupa trocada, reuniram-se para o bolo de aniversário.

No meio tempo, um dos meninos, brincando, joga lama ou terra na roupa do Frederico que, revidando o empurra.

O garoto cai, bate com a cabeça em alguma pedra, abre a cabeça de onde jorra sangue em profusão assustando a dona da casa.

A festa é prematuramente interrompida. Frederico telefona para casa e pede para os pais o apanharem antes do horário combinado.

Chegando em casa conta o sucedido e o pai explica que sua reação foi extemporânea. Ele devia pedir desculpas ao menino machucado. Resolve telefonar para a casa do menino informando da intenção do Frederico.
No caminho, para em uma bomboniere e compra uma bela caixa de chocolates.

Ao chegar no apartamento do amigo, a recepção foi fria. A mãe achava que Frederico havia se excedido, contudo, depois das preliminares, conduziu-o para o quarto onde estava o menino de repouso com a cabeça enfaixada.

Frederico desculpou-se, entregou a caixa de chocolates e o tempo fez o resto.

Algum tempo depois, refeita a amizade e esvaziada a caixa de bombons, deixou o apartamento.

No elevador, sozinho com o pai, disse aliviado: “papai, você não imagina o peso que tirei de minhas costas!!!”

Um garotinho de 10 anos de idade ilustrou perfeitamente o papel regenerador do perdão.

É exatamente isso o que sentimos ao pedir perdão. Tiramos um peso de nossas costas, nos libertamos, ficamos livres da culpa de nosso ato.

Por isso digo sempre que perdão é um ato de inteligência. Se não perdoarmos ficamos presos a pessoa que odiamos.

Percebi que homens e mulheres são seres de séculos diferentes, como disse Henrik Ibsen, dramaturgo norueguês, vivem em pátrias distantes, exilados na perene nostalgia do amor idílico, terno e eterno.

Nesse universo o amor é a busca incessante, procura atroz, como se o outro fosse a resposta para nosso isolamento.

Não, não é no outro que reside o conforto de uma jornada finda.
Não é o outro o endereço de uma procura incansável. E pouco adianta trocar o outro por mais um outro nessa busca incessante de perfeição, como se existisse a fada ou o príncipe encantado.

É em mim que mora a resposta. Busco fora o que está dentro. Empreendo uma viagem equivocada.

Vou ao exterior à procura do que se acha em meu país. Mas nem sempre tenho olhos para decifrar, atrás do tênue tecido da vida, a delicadeza do espírito e seus infinitos murmúrios.

O primeiro argumento espiritual que devemos perseguir para manter o relacionamento, portanto, é dar um mergulho em nosso interior em busca da fagulha que incendeia nossa vida, que justifica nossa união.

Perceber que nem sempre estamos certos, abrindo mão de nossa certeza inabalável e pedir perdão, pois este é o melhor caminho para a felicidade conjugal.

O segundo, é a gratidão e admiração pelo parceiro/parceira, saber distinguir “amar” de “gostar”. Posso amar uma pessoa e não gostar de algumas de suas atitudes. Amar não é só querer bem ao outro, é querer “o bem” do outro, aceitar seus defeitos e fraquezas assim como reconhecer suas qualidades.

O relacionamento frutuoso e um dom que recebemos imerecidamente. Devemos agradecer a Deus por nos ter colocado na frente da pessoa que preenche parcialmente nossas expectativas.

Sim, porque preenchimento total jamais alcançaremos, a não ser em Deus.

Não existe pessoa ou coisa que possa nos preencher totalmente, só Deus.
Mas podemos, ao menos, ser reconhecidos, admirados pela nossa capacidade profissional, elogiados.

Diz-se que a pessoa elogiada procura se esforçar para preencher as expectativas do parceiro.

Isso aconteceu comigo. Eu era muito tímido, não conversava muito, era caladão. Mas Teresa, minha companheira, começou a me ver com os olhos dela.

Elogiava minhas conquistas profissionais por mais que eu procurasse minimizá-las. Até que em dado momento eu também passei a enxergar-me com os olhos da Teresa.

Se gostou desse texto comente em nosso site e compartilhe com seus amigos. Gostaríamos de receber manifestações, críticas e sugestões.

Procure ler outros livros de Dom Cipriano, entre os quais recomendo enfaticamente “Alegria que não Passa” e “A Cura da Ira”.

No primeiro o autor explica que Jesus nos quer alegres, que Deus nos criou para usufruirmos de toda a sua criação. Se sofremos com doenças, raiva, desespero, e outros sentimentos negativos devemos encontrar a causa em nós mesmos, em nossas heranças espirituais genéticas, em nossa incapacidade de nos abrir a Deus deixando que ele atue em nossa vida.

O segundo aborda um fato importante, a raiva pode nos servir como um trampolim para experimentarmos o amor de Deus. Funciona como a dor. Se você sente dor em alguma parte de seu corpo, talvez a causa não esteja exatamente onde a dor se localiza, pode estar em outra região que afeta aquele local. Contudo, ela o leva a procurar um médico para identificar o que pode evoluir de tal forma que acabe por se ver obrigado a realizar uma operação indesejada.

Posted in Grupo de Oração.

3 Comments

  1. Ao me colocar diante do outro e pedir perdão ou desculpas por minhas falhas, eu sinto um alivio, como se saísse um peso dos meus ombros, o que é muito importante. Penso que, esse bem estar pode ser a sombra da libertação e satisfação; que encontramos só em Deus. Não há príncipe encantado; muito menos com tamanha graça e plenitude.

  2. Valeu! Eu estava perguntando a Jesus como faria para perdoar o meu tio que me amola desde criança! Pensei:- se perdoo, ele continuará me atormentando! A resposta esta neste ótimo texto!

  3. Caras Vânia e Sonia
    Desculpe pelo atraso em responder suas observações. Passei um tempo fora e não levei o “dever de casa”, motivo pelo qual desejo me redimir.
    Vânia, o que você sentiu eu pude perceber na conversa com meu neto, então com 10 anos de idade. O perdão é realmente uma forma de eliminar o pêso que levamos nos ombros sem a menor serventia. Libertação, compreensão e amor gratuito só encontramos em Deus.
    Sonia, os comentários acima também valem para você. Tenho a certeza de que hoje você vive mais livre, libertada que foi pelo perdão
    Que a Paz de Jesus ilumine a vida de vocês
    Mauro Malta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *