SER CRISTÃO, O ETERNO DESAFIO – Parte 01

Meus irmãos e minhas irmãs

Descobri entre meus guardados uma coleção de antigas instruções de Dom Cipriano, distribuídas entre os membros de um grupo que ele treinava para auxiliá-lo na Comunidade Emanuel, intitulada TREINAMENTO PELO ESPÍRITO SANTO.

Durante meses nos reuníamos uma vez por semana para debater essas instruções e orar para que percebêssemos melhor como o Espírito Santo agia em nossas vidas.

Essas instruções foram depois editadas em livros, no primeiro dos quais MORADAS DE DEUS, Dom Cipriano explica mais profundamente, o que significa ser Morada de Deus ao recebermos no batismo o Espírito Santo para habitar em nosso coração. No segundo, A FONTE E O VENTO, o autor aprofunda o significado de nosso relacionamento com Jesus.

Paralelamente, li um enxerto do livro JESUS, O MESTRE INTERIOR, de Laurence Freeman, que despertou em mim o desejo de partilhar o que tinha apreendido.

O resultado cristalizou-se nesses textos que coloco a disposição de vocês, esperando que os auxilie, como auxiliaram-me, a despertar mais profundamente o desejo de ser melhor cristão.

A Paz de Jesus
Mauro Malta

SER CRISTÃO, O ETERNO DESAFIO

Certa vez, andando sozinho em uma praia afastada, descobri as ruinas de uma casa de pescador e aventurei-me por lá para ver como viviam as pessoas daquele lugar. Logo na entrada, do que deveria ter sido uma cozinha, deparei-me com uma grande chave enferrujada no chão, um chão sobre o qual deveriam ter se cruzado pés de várias gerações que se cruzaram, entrecruzaram, batido, brigado ou abraçado uns nos outros e, de alguma forma, aprendido a amar.

Enquanto punha a chave no bolso para guardar em minha caixa de tesouros, percebi, num instante de clareza, que o lar tem duas dimensões.

É o lugar onde somos mais vulneráreis, ferimos os outros e também somos feridos.
E é o lugar onde se oculta o reino do perdão, onde depois de o passado ser redimido, a história recebe um novo significado e os mortos renascem, passam a fazer parte de nosso presente e de nosso futuro. A mágoa profunda, o arrependimento e a tristeza profunda devem ser transpostas para se entrar nesse reino da alegria.
O perdão é porta e a chave.

Jesus nos deixou uma lição essencial de santidade em seu Sermão da Montanha, onde chama a santidade de felicidade ou “beatitude”.
Ao buscar a santidade o ser humano se torna feliz.

Para quem Ele falava, enquanto caminhava entre cidades e aldeias dirigindo-se a seu destino que era Jerusalém?
Falava para os marginalizados; para os coletores de impostos, hoje retratados no desejo irrefreável de arrecadar cada vez mais, não importa os meios utilizados, falava para nós hoje que somos os aleijados espirituais, os pecadores.

Ele revelou “os segredos do reino dos céus” aos que chegavam por último lugar na corrida da vida, ou nem tinham permissão para participar dessa corrida.
Revelava esses segredos aos desassistidos e hoje a nós, os que se ressentem de atenção, os que se julgam injustiçados pela vida por não termos sido capazes de realizar nossos sonhos.

É só a partir de nossa necessidade, muitas vezes encoberta pela vergonha, e não de nossa pretensa autossuficiência, que nos ligamos ao que Ele comunica e a quem Ele é.

A preocupação de Jesus com os pecadores pode nos parecer uma atitude “cristã” normal, mas se quisermos realmente ouvir seu ensinamento e sua pergunta, também devemos levar em consideração o quanto ela era de fato chocante.

Quem era considerado pecador naquela época?

Eram todos os que pertenciam a determinadas castas sociais, os que exerciam atividades consideradas desprezíveis: os coletores de impostos, os ladrões, como também os pastores, apesar de nossa visão romântica a respeito deles, pois eram hábeis ladrões de rebanhos, os açougueiros – todos esses não tinham qualquer possibilidade de ascensão social.
Eram impedidos de cumprir as obrigações do ritual de purificação exigido pela Lei e, portanto, viviam em permanente exclusão de sua comunidade.

Pecador era um destino que se perpetuava e era passado de geração a geração.

Lembremo-nos do cego de nascença que Jesus curou, despertando dúvidas entre seus seguidores (Jo 9,1-3):” Quem havia pecado, a pessoa ou seus pais?” Sim, porque de acordo com o entendimento prevalecente Deus, que favorece os justos também punia os pecadores. Nascer cego, portanto, era considerado uma punição para um delito pessoal ou dos ancestrais. Tudo tinha que ter uma explicação. As causas acarretam efeitos.

Mas Jesus propôs uma maneira radicalmente diferente de ver o sofrimento e o bem-estar.
Ser rico, viver no conforto pode ser uma praga disfarçada. A riqueza pode impedir nosso progresso espiritual.
Quem pode “ perdoar” a ansiedade e a apatia que a riqueza pode provocar?

É difícil não pensar que a riqueza e a prosperidade sejam uma recompensa por nosso bom comportamento. Fomos treinados desde a infância para acreditar que esse é nosso objetivo .
Contudo, ao acreditar nisso transformamos a riqueza em um novo Deus, um ídolo.
Em geral, preferimos um deus criado por nós mesmos, porque sentimos poder controlá-lo.

Como somos seres complexos e contraditórios, podemos fazer imagens irreconciliáveis de Deus em nossa mente e, em consequência, uma pessoa religiosa, observadora dos preceitos de Deus, de repente, volta-se amarga e zangada contra Deus porque perdeu o emprego, ou quando descobre ter um câncer.
“Por que eu? Observei sempre as regras e paguei meu dízimo? É justo?”

O pecado e a morte podem continuar a nos atormentar por meio de nossa fraqueza pessoal. Podemos continuar a viver com nosso catálogo diário de egoísmo mesquinho. Mas a esperança confirma que existe um fim para o sofrimento.
E a maneira como a esperança é percebida adquire forma humana na pessoa de Jesus Cristo.

Meus irmãos e minhas irmãs, no próximo texto encontrarão resposta para a dúvida angustiante sobre o significado do Reino de Deus.
Espero que aproveitem, lembrando que Dom Cipriano escreveu um livro intitulado SOB A LUZ DE DEUS onde aborda o que devemos fazer para viver como Deus deseja que vivamos.
A Paz de Jesus
Mauro Malta

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