Ressentimento – Parte 04

A paz de espírito é impossível quando passamos o tempo todo pensando em quão terrível alguém é e o muito que nos magoou.

Enquanto ficarmos obcecados com ressentimentos não podemos crescer nem espiritual, nem emocionalmente. Ficamos presos ao passado.

Não podemos seguir em frente com nossa vida carregando o peso do ressentimento que nos afeta das seguintes maneiras:
-A mágoa não sai de nossa cabeça;
-Estamos tão empenhados em imaginar vinganças que esquecemos de fazer o que mais nos agrada;
-Ficamos irritados, rancorosos e nosso relacionamento com outros é prejudicado;
-Amargura, rancor, raiva, afetam nosso estado físico e passamos a sentir dores de cabeça, dores musculares, mal estar físico generalizado.

A libertação dos ressentimentos, portanto, é um ato de inteligência. Nos libertamos do sentimento que nos mantém presos a um fato que aconteceu há muito tempo e que não deve continuar a determinar nosso comportamento atual.
Imagine que seja convidado para uma grande festa. Prepara-se com antecedência para participar do evento do qual deverão comparecer todos os seus amigos. Subitamente é informado que a pessoa que odeia também estará presente. Na mesma hora decide não comparecer a festa. No dia marcado tranca-se em casa, veste o pijama, senta-se na poltrona e fica assistindo novela na televisão. “Quem está mandando em sua vida? Você mesmo, ou a pessoa que odeia?”

Você não é obrigado a continuar carregando esses fardos. Existe um modo de se libertar dessas correntes que o impedem viver uma vida plena, a vida que Deus criou para você viver – PERDOAR

Saiba que perdoar é um ato de vontade, é uma escolha que você tem que fazer livremente;
Perdoando você se liberta de pensar permanentemente na pessoa que o ofendeu.

Perdoar exige tempo, é um processo. Não é algo imediato, como se fosse um passe de mágica. Tem que passar de sua mente para seu coração e isso exige tempo, desejo de atender aos desejos do Pai, obedecer a Jesus, que nos mandou reconciliarmo-nos com quem nos ofendeu antes de participarmos do banquete do Rei.

Perdoar o passado nos ajuda a viver o presente;

Perdoar não significa que você tem que voltar a se dar com quem o prejudicou. Muitas vezes, a pessoa que você considera como culpada pelo fato que a magoou já esqueceu do que aconteceu.

É você quem continua a alimentar esse sentimento negativo, motivo pelo qual ele o prejudica até fisicamente.

Perdoe a pessoa em seu íntimo de tal forma que, ao avistar essa pessoa não sinta mais “gana” de pular em seu pescoço nem sentir o sangue ferver e subir para sua face.

Você simplesmente passará por ela, a cumprimentará cortesmente, e seguirá em frente, sem sentir nada mais do que o orgulho em ter procedido dessa forma, de conseguir se libertar. Esta é a prova que você passou no teste e não sente mais a mágoa que o consumia. Você está liberto e passará a viver uma vida decidida exclusivamente por você mesmo.

É preciso PERDOAR os outros, mas primeiro tem que se perdoar. Perdoar suas falhas, seus erros, suas quedas, para só então, entendendo que todo mundo erra, inclusive você, dar os passos necessários para perdoar os outros.

Uma coisa pode lhe ajudar a perdoar. Você não está concedendo uma “carta de alforria” ao culpado. Ele é culpado e deve pagar na sociedade por seu erro. Se a pessoa roubou, cabe a polícia encarcera-lo. Você não fará nada para interferir nesse processo. Seu perdão é espiritual, entre você e Deus.

Lembre-se do Santo Papa João Paulo II, baleado por um turco enquanto circulava pela praça do Vaticano que, depois da sua convalescência, foi vista-lo na prisão.

Na ocasião o culpado pediu a intervenção de Sua Santidade para libertá-lo da prisão. Em resposta o Papa disse que o perdoava, mas diante da justiça ele era culpado e tinha que cumprir sua pena, recusando-se a atendê-lo.

Faça o mesmo, entregue o julgamento a Jesus que, no momento certo, separará os cordeiros dos bodes. E você viverá mais leve, liberto do peso que arrastava pela vida por não aceitar perdoar a quem o ofendeu.

Perdoar não é o mesmo que esquecer ou desculpar alguma falta, nem aturar comportamentos inaceitáveis. Significa deixar de ficar obcecado pelo mal que nos foi feito. Não temos que fingir que nada de mal nos aconteceu, nem temos que esquecer o passado. Ao invés, escolhemos viver o presente através do perdão, que nos permite lembrar do mal que nos fizeram sem ódio, sem rancor, sem ressentimento.

Reflita sobre a importância do perdão comparando o preço exigido pelo ressentimento – raiva, angústia, dores físicas, intolerância.

Se desejar aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto recomendo ler meu livro Perdão, O Caminho da Felicidade, Edit. Louva a Deus; Ending our Resentments, Ronald T. Potter-Efron and Patricia S.T. Potter-Efron 1995, ATT – Associação para Tratamento das Toxicodependências

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