Ressentimento – Parte 03

Muitas vezes, porém, a pessoa se acostuma com esse sentimento negativo, acaricia-o, guarda-o no seu interior com carinho como justificativa para proceder da forma como age. Trata-se da motivação para continuar a viver de maneira rancorosa justificando seu fracasso nos relacionamentos.

Os ressentimentos podem transformar-se em ódio.
As pessoas que odeiam estão convencidas que os outros a magoaram terrivelmente.
Caso Helena decida odiar sua família vai passar longas horas, cada dia, presa a sua raiva e pode até pensar em magoá-los.

A vingança é um desejo de devolver uma ferida por outra. Os brasileiros do rio Grande do Sul costumam dizer que “vingança é um prato que se come frio”, em outras palavras, é um sentimento que deve ser armazenado na memória pelo tempo que for necessário, até o momento propício para se dar a resposta adequada, para praticar a vingança a muito tempo guardada pronta para se realizar. O que não se imagina é o preço que se está pagando por manter esse rancor em seu interior, impedindo-o viver plenamente, com a vida que Deus o criou para viver.

As pessoas que buscam vingança acreditam que foram maltratadas e não desejam terminar o conflito. Preferem não desistir da sua raiva até que aqueles que as magoaram sejam castigados. Em geral, sentem-se superiores àqueles que odeiam. É difícil abrir mão do ódio e do desejo de vingança.

Podemos ter odiado alguém tanto tempo que nos habituamos a isso. O
que iríamos fazer com toda a nossa raiva se parássemos de odiar a pessoa? Perdemos a capacidade de estar abertos a qualquer outra ideia. Preferimos permanecer com o sentimento que nos é familiar.

Podemos decidir fazer com que eles “paguem” por aquilo que nos fizeram – falando mal pelas costas, roubando-as, destruindo propriedades da pessoa, causando-lhe dor física ou emocional. Algumas pessoas chegam ao ponto de planejar e executar um assassinato.

Como podemos tentar curar essas nossas feridas emocionais?

O processo é lento e longo. Precisamos, antes de mais nada, reconhecer claramente os motivos que nos levam a ficar ofendidos, ressentidos, amargurados. Para isso, convém lembrar tudo O QUE NOS FIZERAM – coisas que as pessoas nos fazem e que pensamos serem propositais; além disso, O QUE NÃO NOS FIZERAM – coisas simpáticas que podiam ter feito e não fizeram: e, finalmente, QUANDO NÃO FIZERAM O SUFICIENTE – atos dos outros que imaginamos não ter sido suficientes para satisfazer nossas necessidades emocionais;

Para Helena, sua família a magoou por dar a estatueta a sua irmã. O QUE NÃO FIZERAM foi falar com ela sobre o fato. Seu raciocínio: “Eu não ficaria tão furiosa se tivessem falado comigo.”

Ressentimentos sobre o que as pessoas não fizeram ou deviam ter feito são difíceis de resolver porque sse referem a algo que falta, algo que NÃO aconteceu, algo que não recebemos, algo que se imagina ter faltado para satisfazer nossos anseios.

Afinal, ninguém é perfeito. Quem pode preencher todas as nossas necessidades, todo o tempo?

É nesse ponto que entendemos que não existe pessoa, bem material, poder, importância social, que possa preencher nosso vazio existencial. O único que pode nos satisfazer plenamente é Deus. Estreitar nosso relacionamento com Ele pode ser a diferença entre viver uma vida livre, leve, sem ressentimentos e uma vida amargurada, rancorosa, que nos transforma em corcundas espirituais.

Nem sempre podemos impedir que os outros façam coisas que nos magoam. Mas podemos assumir a responsabilidade de lidar com a nossa dor e ira antes que se transformem em ressentimentos.

Reconheça que o ressentimento está lhe causando profunda dor física. Você na verdade está vivendo em função do ódio que sente a quem a ofendeu. Sua vida está toda concentrada em manifestar esse ódio.

Será que essa pessoa é tão importante assim? Será que ela é mais importante do que sua própria vida? Sim, porque em certo sentido você está agindo simplesmente para manifestar o quanto odeia essa pessoa, esquecendo de amar a você mesmo, esquecendo, muitas vezes, de fazer o que mais gosta, tão ocupada está em odiar a pessoa, em preparar uma vingança adequada.

Fique certo de que sem se amar, não se pode amar ninguém. Você está fadado a viver uma vida solitária, amarga, que o afasta dos outros.

Se desejar aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto recomendo ler os livros de Dom Cipriano: Ressentimentos Nunca Mais, Ed. Louva-a-Deus, 2003; Cura Profunda, Ed. Louva-a-Deus, 2011

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