Carta ao Leitor – JV 464

O Papa Francisco aborda a passagem bíblica das Bodas de Caná durante o qual Jesus realizou o primeiro dos seus sinais e prodígios. Da mesma forma como lemos em Gênesis, quando Deus conclui a obra de criação e faz a sua obra-prima, o homem e a mulher, ali Jesus começa os seus milagres precisamente com esta obra-prima, numa festa de núpcias, a união de um homem e uma mulher. Assim, ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam. Esta é a obra-prima! Hoje não parece fácil falar do matrimônio como de uma festa que se renova no tempo. A dificuldade de permanecer unidos — quer como casal, quer como família — leva a interromper os vínculos com frequência e rapidez cada vez maiores, e são precisamente os filhos os primeiros a sofrer as consequências. As dificuldades não são apenas de natureza econômica, trata-se de uma forma de machismo. Nós fazemos a má figura que fez Adão, quando Deus lhe disse: “Por que motivo comeste o fruto da árvore”, e ele retorquiu: “Foi a mulher que mo deu”. E a culpa é da mulher. Devemos defender as mulheres!

Na realidade, quase todos os homens e mulheres gostariam de ter uma segurança afetiva estável, um matrimônio sólido e uma família feliz. A família ocupa o primeiro lugar em todos os índices de agradabilidade entre os jovens; contudo, pelo receio de errar, muitos nem sequer desejam pensar nisto. Não obstante sejam cristãos, não pensam no matrimônio sacramental, sinal singular e irrepetível da aliança, que se torna testemunho de fé. Quando se casam “no Senhor”, os cristãos são transformados num sinal eficaz do amor de Deus, não se casam exclusivamente para si mesmos, casam no Senhor, a favor de toda a comunidade, da sociedade inteira.

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Frei Raniero Cantalamessa aborda a Transfiguração de Cristo dizendo: “O que a transfiguração significou para os três discípulos que a presenciaram? Até então haviam conhecido Jesus em sua aparência externa, um homem não diferente dos demais, do qual conheciam sua procedência, seus costumes, seu tom de voz… Agora conhecem outro Jesus, o verdadeiro, aquele que não se consegue ver com os olhos de todos dias, à luz normal do sol, senão através do fruto de uma revelação imprevista. Para que as coisas mudem também para nós, como para aqueles três discípulos no Tabor.”

Dom Cipriano, por outro lado, nos explica como muitas vezes confundimos a figura de Deus, nosso Pai celeste, com a figura do pai terreno, o que afeta nosso relacionamento com o outro, informando: “A maioria dos cristãos têm ideias vagas e contraditórias sobre a personalidade de Deus. Essas nossas ideias vêm normalmente de nosso relacionamento com figuras de autoridade terrenas. Se pensarmos nas figuras de autoridade que foram mais influentes em nossos primeiros anos, descobriremos que muitas de nossas ideias de Deus estão ligadas a essas pessoas.

Normalmente, a pessoa mais significativa na formação dessas ideias é o nosso pai terreno, que podem assumir os seguintes exemplos: O pai emocionalmente distante ou passivo, exprime sua afeição ao mínimo possível. Acha que você sabe que ele ama você, mas raramente o diz. No entanto, você não sabe se ele vê ou sente a dor ou a alegria que você está sentindo. O pai autoritário, intervém para deter o que você está fazendo. Ele apresenta uma lista de coisas permitidas ou proibidas. Interrompe você e diz “não” às coisas que são importantes para você. Pais abusivos, causam sofrimento a seus filhos deliberadamente, ferindo-os emocionalmente, mentalmente, fisicamente e, às vezes, sexualmente. O pai ausente, talvez seja o pai que você nunca conheceu, talvez mesmo morrendo antes de você nascer. Ele simplesmente nunca está lá. Portanto, ele nunca intervém para ajudar você nas dificuldades. Você se sente totalmente abandonado e negligenciado. Já o pai acusador é o exemplo mais comum. Proclama que ama você de todo o coração, mas julga-o
continuamente a cada falha.

Essas imagens do pai terreno criam uma falsa imagem de Deus e provocam o rompimento de relacionamento da pessoa com Pai celeste, influenciando seu relacionamento com as pessoas a seu redor.

Texto extraído da Revista Jesus Vive e é o Senhor – Edição 464

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